Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 06/09/2021
“Escola de Atenas”, quadro pintado pelo artista renascentista Rafael Sanzio, retrata um ambiente de partilha de ensinamentos. Nessa obra são retratados grandes nomes históricos em constante aprendizado uns com os outros. Oposto a isso, no ambiente digital atual, há uma cultura do cancelamento, não tolerando a imperfeição e ideais diferentes. Dessa forma, é válido analisar as raízes desse comportamento, bem como as consequências que o cancelamento de uma pessoa traz.
Em primeiro plano, a maioria dos problemas enfrentados hoje derivam da história, assim como a cultura do cancelamento. Tomando como base os pensamentos de Marshall McLuhan, a internet é mais uma invenção como, por exemplo, foi a roda e, assim como ela, facilita o caminho, mas não indica a direção. Desse modo, quem dita o uso da internet são as pessoas e o cancel é o reflexo fa usuários reais em meio virtual. Visto isso, como atitudes intoleráveis do diferente vem desde a colonização brasileira, como é legível na “Carta de Achamento do Brasil”, escrita por Pero Vaz de Caminha, em que fica claro o etnocentrismo europeu ao desqualificar os indígenas. Assim, o “cancelamento” das redes sociais é como os preconceitos do dia a dia, já que há padrões considerados belo e aceitável.
Ademais, esse medo do cancelamento e da não aceitação leva a diversos problemas mentais às pessoas que estão integradas ao meio digital. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o Brasil é o 1 ° país no ranking de ansiedade mundial, o que só piora com as redes sociais e a intolerância refletida nelas. Isso faz com que as pessoas excluam, internamente e na aparência, suas singulares por medo de rejeição. A realidade é tão complexa que foi retratada pela plataforma de stream Netflix, por meio de sua série Black Mirror, que mostra os impactos causados pelo ambiente digital. No episódio “Queda Livre”, pessoas mudam seu estilo de vida para entrar no padrão, até que a protagonista rompe o sistema. O que só reforça de que uma ficção imita a vida, visto que as pessoas estão exaustas de uma homogeneização de atitudes nas redes sociais por medo do cancelamento.
Portanto, a cultura do cancelamento deve parar. Assim, cabe ao Governo Federal, por meio de sua câmera dos deputados - em âmbito legislativo -, elaborar projetos de leis contra a cultura do cancelamento. Esses projetos de lei devem visar regulamentar o meio digital, definindo linchamentos virtuais como o crime. Isso pode ser feito por meio dos fóruns online que levem os parlamentares à conversas com a população, estudando juntos formas de elaboração leis que sejam eficazes e tornem o meio digital mais saudável. A partir de medidas como essas, será possível obter uma internet que possibilite reais avanços, a fim de que o ambiente online seja mais como a pintura da Escola de Atenas, em que as diferentes pessoas autênticas podem compartilhar ideias sem julgamentos.