Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 07/09/2021
O reality show “Big Brother Brasil 2021” se destacou entre suas edições por aflorar a cultura do cancelamento, do qual muitos participantes foram alvos simplesmente por terem atitudes que não atenderam às expectativas dos telespectadores. Nesse viés, assim como na experiência deles, muitas pessoas são vítimas dessa cultura de ódio disfarçada de “bem social”. Dessa forma, é urgente haver um debate a respeito dessa questão no âmbito social, já quem além de ser uma atitude irresponsável, deságua na tentativa de fazer justiça com as próprias mãos.
Inicialmente, é válido destacar que a defesa do cancelamento é reafirmar uma cultura de pensamentos rasos e irresponsáveis, visto que se utilizam de argumentos tais como os fins justificam os meios, ou seja, não importa o que deve ser feito, apenas que o resultado favoreça o posicionamento do cancelador. Além disso, sabe-se que a internet favoreceu em muito o acesso aos conteúdos digitais e permitiu, também, posicionamentos variados, contudo é fato que essa ferramenta, segundo o escritor Umberto Eco, “deu voz a uma legião de imbecis”. “Imbecis” na medida em que se acham no poder de coagir a vítima sem lhe dar opção de defesa, exatamente o que é o cancelamento, ou ao menos de mudança, representando um pensamento promíscuo, retrógrado e além de tudo covarde.
Do mesmo modo, pontua-se que a ação de cancelar alguém, na realidade, é um ato de intolerância, ao ponto de querer realizar justiça com as próprias mãos. Nessa perspectiva, é possível perceber que as pessoas não estão interessadas em repreender atitudes a fim de ensinar da maneira correta, mas estão preocupadas em humilhar e trazer a consequência a todo custo e de forma agressiva. Tais atitudes representam uma releitura do “Código de Hamurabi”, portanto aplicado no universo virtual, em que se desejam “olho por olho e dente por dente”, tal como no tradicional. Desse modo, torna-se evidente a importância de discutir maneiras de evitar esse discursos que, por vezes, alcançam proporções irreversíveis.
Portanto, entendendo que a cultura do cancelamento é infundada, é imprescindível que o Ministério da Educação, em virtude de se tratar de bases educativas, adote medidas que instruam a população a respeito do discurso do cancelamento. Isso deve ser feito por meio de propagandas publicitárias, publicadas tanto na televisão quanto nas redes sociais, que objetivem guiar as pessoas a conterem pensamentos ofensivos e direcionar o acontecimento para órgãos legais do governo, se for o caso, bem como ensinar maneiras corretas de corrigir sem ofender ou humilhar com a finalidade de diminuir a incidência desses discursos de ódio disfarçado de “bem social” na sociedade contemporânea.