Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 07/09/2021
Em “Modernidade líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é vigorosamente influenciada pelo egoísmo e imediatismo. Sua tese pode ser observada na realidade brasileira no que tange a cultura do cancelamento, ação comum que condena atitudes vistas como ilegais nas redes sociais. Dessa forma é necessário o debate sobre o poder da internet e as consequências futuras para cancelados virtualmente.
A priori, Michel Foucault, filósofo francês, em sua obra “Vigiar e Punir” retrata uma postura de extrema vigilância das instituições sociais para garantia de boas condutas dos indivíduos, o que evidencia a mesma prática adotada no ambiente cibernético. A internet, lugar onde 66% da população brasileira está ativa segundo relatório Digital in 2019, tornou-se palco importante de debates sociais e de busca por justiça. Nesse caso, ao expor uma situação julgada como imoral, forma-se uma onda de ódio e de linchamento virtual em torno do responsável no tribunal da internet. Assim, além da exposição, o “cancelado” é sujeito a perda de seguidores e do seu prestígio social, atingindo não apenas sua vida virtual, mas real.
Em uma segunda análise, Karol Conká de símbolo feminino e da luta anti-racismo, transformou-se em uma péssima representação das causas com suas atitudes no BBB21, sendo exemplo real das consequências negativas da cultura do cancelamento como isolamento, invisiabilidade e exclusão social. Outrossim ainda, é que o reflexo de ser cancelado pode acontecer a longo prazo com impacto na saúde gerando depressão e ansiedade. Com isso, um meio usado para obter-se justiça, torna-se um gatilho para o agravamento de transtornos mentais.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para a democratização do debate sobre a cultura do cancelamento. O Ministério da Educação deve então promover a conscientização por meio de palestras em escolas de todo país, que reforce a prática da empatia como saída a intolerância e alternativa a justiça com as próprias mãos, seja na rede social ou fora dela, para que assim seja possível uma pós-modernidade focada no coletivo.