Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 17/09/2021
Em 1988, representantes do povo - reunidos em Assembleia Constituinte - instituíram um Estado Democrático de Direito, a fim de assegurar a proteção à vida como valor supremo de uma sociedade próspera, tendo como pilar a manutenção da harmonia e do bem-estar social. No entanto, quando se observa a questão da cultura do cancelamento na sociedade contemporânea, nota-se que o princípio democrático não saiu do papel. Com efeito, há de se analisar a negligência estatal e social na persistência da problemática.
Diante desse cenário, cabe destacar o quão prejudicial é a omissão estatal na conservação do óbice. Sobre isso, Zygmunt Bauman - sociólogo polonês do século XX - elaborou o conceito de Instituição Zumbi, o qual evidencia que o Estado perdeu sua função social, mas manteve - a qualquer custo - sua forma. Nesse sentido, o Poder Público brasileiro se enquadra na teoria de Bauman, tendo em vista seu papel passivo em ofertar, por meio de palestras educacionais, informações acerca dos riscos da persistência da cultura do cancelamento, principalmente em uma sociedade democrática, que tem a pluralidade de ideias como lema principal. Assim, enquanto o problema denunciado por Bauman for a regra, a efetiva liberdade de expressão será a exceção.
Ademais, a falta de empatia contribui para a persistência da problemática. Nesse viés, o filósofo francês Pierre Bourdieu teceu a obra “O poder simbólico”, o qual expõe o fenômeno da Violência Simbólica, que é uma forma de opressão e coerção que se dá de maneira imperceptível, mas que fere a dignidade humana. Consoante a isso, a cultura do cancelamento - agravada pela liberdade que o mundo cibernético oferece aos seus usuários - representam, na prática, o problema denunciado por Bourdieu, na medida em que, por ser realizado no ambiente virtual, a opressão é feita de maneira mais velada, o que pode ser imperceptível para a sociedade, mas fere veementemente as condições psicológicas do “cancelado”. Desse modo, nota-se que a falta de empatia representa um dos porquês do problema.
Isto posto, é imperiosa a ação de ONGs (Organizações não governamentais) na resolução do impasse. Sobre isso, o Instituto Ethos, aliado ao “Akatu” - associações destinadas à concepção de uma comunidade sem conflitos - precisam pressionar o Poder Executivo, por meio de campanhas nas redes sociais, de modo a exigir maior atuação das escolas - responsáveis pela educação cidadã - que devem estabelecer projetos pedagógicos sobre a maneira que ocorre a cultura do cancelamento, como tal opressão prejudica o bem-estar da sociedade, além de ações individuais que ajudam no combate, como denúncias à comentários ofensivos, tendo como finalidade promover a massificação do tema na coletividade, bem como uma diminuição no número de casos de cancelamento na contemporaneidade.