Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 17/09/2021
O filme, “Carnaval”, exibido pela plataforma de streaming Netflix, retrata paralelamente em sua história o “cancelamento” da personagem Luana, após a mesma ter feito uma série de comentários homofóbicos e racistas em suas redes sociais. Fora da ficção, no Brasil, observa-se uma realidade similar à do filme, uma vez que a cultura do cancelamento surge como um complexo desafio a ser sanado no país. Desse modo, a fim de mitigar os males relativos a essa temática, é importante analisar a falta de empatia e a escassez de debates em torno do tema.
Sob esse viés, pode-se apontar como empecilho à consolidação de uma solução a falta de empatia. De acordo com a “teoria do habitus”, proposta pelo insigne sociólogo francês Pierre Boudineu, os indivíduos são influenciados em relação aos seus conhecimentos de mundo, sobretudo no que tange a modos de vida, gostos e comportamentos. Analogamente, a influencia que é exercida sob esses individuos, principalmente, na internet contribui para perpertuação do cancelamento, uma vez que, pessoas inseridas nesse contexto social se tornam apaticas ao sentimento alheio e acabam contribuindo com a disseminação de ódio em mídias sociais. Logo, enquanto não ocorrer a inavlidação de tal conduta social o problema persistirá.
Outrossim, é igualmente preciso apontar a carência de uma discussão como impulsionador do problema. Nesse segmento, o sociólogo alemão, Julger Habermas, traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Deste modo, para que a cultura do cancelamento seja erradicada, faz-se necessário debater sobre. No entanto, percebe-se uma lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é muito silenciada e pessoas acabam desconhecendo os efeitos de comentários negativos em massa na internet. Assim, trazer à pauta esse tema e debatê-lo amplamente aumentaria a chance de atuação nele.
Depreende-se, portanto, a necessidade de combater esse obstáculo. Para isso, o Ministério da comunicação deve promover debates sobre o tema, com a presença de psicólogos para alertar as consequências de comentários negativos na saúde mental de alvos do cancelamento. Tais eventos podem ocorrer por meio de transmissões ao vivo em redes socias (facebook, instagram, youtube), contando com a presença de voluntários que já sofreram com o cancelamento para relatarem sua experiência, a fim de concientizar o maior número de pessoas possíveis sobre o assunto. Dessa maneira, o Brasil poderá superar o problema.