Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 18/09/2021
O encurtamento de uma das guerras mais violentas da história da humanidade, a Guerra do Vietnã, foi resultado direito de denúncias e de críticas em rede aberta de TV norte-americana. No entanto, nos dias atuais, o uso da tecnologia tem se direcionado a ações maléficas, como o surgimento da “cultura do cancelamento”, a qual caracteriza-se por ofender e insultar pessoas no mundo virtual. Esse cenário nocivo ocorre não só devido à falta de sensatez do corpo civil, mas também em razão do anonimato nas redes sociais.
Nesse sentido, é válido destacar a ausência de bom senso dos indivíduos como fator relevante nos discursos de ódio e de críticas sem embasamento sólido propagados na internet. Nessa lógica, observa-se que o uso das redes, de forma equivocada, provoca desequilíbrios à sociedade. Por esse ângulo, de acordo com o médico Drauzio Varella, o espalhamento de hostilidade on-line gera, na vítima, desde depressão, até mesmo suicídio, uma vez que há uma fragilidade da imagem do receptor das críticas em rede mundial de acesso. Dessa maneira, nota-se que a imprudência de alguns pode afetar de forma irreversível a vida de muitos indivíduos. Logo, por consequência, o que antes era uma ferramenta louvável para resolver problemas sociais, como a guerra vietnamita, tornou-se um aparato ofensivo.
Além disso, é imprescindível salientar a facilidade de criar perfis on-line sem precisar comprovar sua identidade. Nessa perspectiva, o anonimato na internet provoca uma certa impunidade aos praticantes da cultura do cancelamento, haja vista que, por ocultar seus dados, sentem-se no direito de falar e expor o que desejar. À vista disso, percebe-se uma banalidade da convivência social e de desrespeito à vida alheia, alicerçada, muitas vezes, em críticas sem fundamentos reais, apenas com intenção de degradar a imagem de outrem. Assim, falhas tecnológicas, como a possibilidade do usuário anônimo, aumentam exponecialmente o sentimento de imunidade virtual dos praticantes do “cancelamento”. Verifica-se, portanto, a necessidade de romper esse quadro danoso. Para isso, cabe ao governo federal, responsável pela administração dos interesses da nação, por meio de mutirões em escolas e de campanhas publicitárias em rede aberta de TV, frisar as consequências sociais do “cancelamento”, com o objetivo de suscitar o desenvolvimento crítico dos indivíduos, a fim de criar uma sociedade analítica e responsável acerca de seus atos. Paralelamente, ele precisa exigir às empresas tecnológicas, por meio de um projeto de lei, que os usuários confirmem a sua identidade ao fazer contas virtuais, a fim de anular o anonimato e, assim, tornar mais concreta punições aos praticantes de disseminação de ódio on-line. Dessa forma, será possível o uso saudável dos meios de comunicação às causas sociais, assim como acontecido na Guerra do Vietnã.