Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 20/09/2021

Nos séculos XII e XIII, durante a Inquisição - instituição formada pela igreja católica para julgar atos de heresia -, inúmeras mulheres foram chamadas de bruxas, condenadas à fogueira apenas pela prática de poções com fins medicinais. Hodiernamente, com o advento da internet, o julgamento sem provas, ou seja, o cancelamento, é visto com frequência e isso deve-se pelo ensino precário somado à um sentimento de superioridade e individualismo.

A priori, a má qualidade da educação disponibilizada pelo governo corrobora a problemática. Segundo Imannuel Kant, “O homem é aquilo que a educação faz dele”, logo, percebe-se que a escola, além da família, é a principal instituição formadora do caráter das pessoas e, consequentemente, fundamenta a sociedade. Entretanto, com uma instrução de baixa qualidade, ou seja, sem um atendimento individual que ensine os princípios básico para uma boa convivência com os outros, a comunidade será composta por pessoas sem empatia, que mentem e distorcem ações e palavras para se benfazer ou apenas para prejudicar o próximo, condenando-o a não aprender com seus erros, a não evolução. Dessa forma, deve-se priorizar o ensino dado a cada ser humano, pois são eles que irão compor e ditar a estrutura social.

A posteriori, a ânsia por ser superior e não pensar no coletivo contribui para a cultura do cancelamento. Em “Modernidade Líquida”, Zygmmunt Bauman defende que a sociedade atual é fortemente influenciada pelo egocentrismo, o que verifica-se na prática de acusações infundadas e condenação na internet, quando ao invés de pensar no próximo e ajudá-lo a não cometer os erros novamente, ele acusa, julga e, mesmo sem ser verdade, acaba com a carreira e reputação do indivíduo. Além disso, essas práticas, podendo ser vistas como cyberbullying, costumam ser justificadas como liberdade de expressão, quando na verdade são apenas discursos de ódio, que resultam em uma série de problemas psicológicos desenvolvidos nos acusado e até mesmo o suicídio de alguns. Nesse sentido, observa-se que a conscientição sobre as consequências dessas ações nas vidas alheias é indispensável.

Nesse viés, faz-se necessário, que o Governo federal, promova a cosncientização geral, por meio de palestras que mostrarão os problemas gerados pelo linchamento virtual. Além disso, o Governo federal, como instância máxima de administração executiva, deve atuar em favor do povo, por meio do fornecimento de maior capital ao Ministério da educação, que investirá em uma educação de qualidade, com uma melhor capacitação de educadores, melhoramento da estrutura física das escolas e disponibilização de materiais, a fim de minimizar os atos de cancelamento vistos também durante a Inquisição, na Idade Média.