Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 01/10/2021
No episódio Queda Livre da série Black Mirror, a protagonista Lacie vive receiosa com o que deve falar, postar e vestir, já que as suas ações são avaliadas pelas pessoas ao seu redor. Entretanto, ela não consegue agradar a todos, e por um deslize Lacie é cancelada, excluída do círculo social. Nesse sentido, fora da ficção, é possível afirmar que a sociedade da cultura do cancelamento age de forma opressora e impulsiva , não possibilita o diálogo entre os envolvidos nem a defesa do cancelado, além de causar danos à vida do cancelado.
Primeiramente, a cultura do cancelamento é um tipo de ativismo que visa dar voz às minorias para que mudanças reais ocorram. Essa prática consiste em postar nas redes sociais um vídeo ou uma foto sobre um ato considerado errado, marcando o autor, autoridades civis e donos de empresas. No entanto, o movimento por justiça social torna-se opressor, uma vez que não permite o arrependimento, nem a defesa e perdão do erro cometido, já que a pessoa é eternamente penalizada, como no caso de Emmanuel Cafferty foi acusado de usar um sinal racista “Ok”, recebeu uma enxurrada de mensagens e críticas, e malmente foi ouvido, relata a matéria da BBC News.
Outrossim, “Quem não tiver pecado atire a primeira pedra” disse Jesus Cristo, todos os homens estão sujeitos à erros, mas as pessoas preferem olhar o erro do outro do que o próprio erro e procuram sempre alguém para condenar. Além disso, em um mundo globalizado onde as fakes news estão em alta, agir dessa forma é extremamente imprudente, porque não se mede as consequências que terão nas vidas das pessoas. Ademais, Emmanuel alega que estava alogando os dedos enquanto digiria, e por causa dessa situação mal interpretada, perdeu o seu emprego e tem dificuldade de ser empregado novamente.
Decerto, a vida é um eterno aprendizado e os homens estão em constante construção. Diante do exposto, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as mídias sociais, promover campanhas, por meio de palestras gratuitas nas escolas e universidades sobre a empatia, liberdade de expressão e o bom uso das rede sociais, com a presença de psicólogos, pedagogos, influencer digitais e jornalistas, a fim de não só construir uma socieade mais humana como também garantir os direitos fundamentais do indivíduos.