Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 25/09/2021
A palavra boicote surgiu durante o século XX na Inglaterra, onde Cunningham Boycott, um capitão inglês que administrava terras de um nobre, começou a ser ignorado pelos trabalhadores dos territórios que controlava, por comerciantes e até mesmo por carteiros como uma forma de protesto contra sua administração tirana. Nota-se que, na atualidade, o boicote continua atuando como meio de protesto, principalmente na forma da cultura do cancelamento, a qual vem sendo cada vez mais debatida na sociedade contemporânea por causar, de certo modo, uma limitação da liberdade de expressão e ser consequência de atos impulsivos. Dessa forma, faz-se necessário elucidar sobre esses pontos para que soluções pertinentes sejam alcançadas.
Em primeira instância, é importante analisar que a omissão da liberdade de expressão é uma grande problemática ligada à cultura do cancelamento. Nessa perspectiva, Karl Popper, filósofo austríaco, analisa a existência do paradoxo da tolerância, o qual expõe que a tolerância ilimitada gera o desaparecimento desta, mas que não se deve suprimir pensamentos intolerantes e sim combate-los com argumentos racionais. Dessa forma, é possível visualizar que o simples cancelamento, sem um debate, acaba sendo uma maneira errada de lidar com visões tidas como equivocadas, já que isso reprime ideias alheias e é, ainda, uma forma não efetiva de acabar com pensamentos e ações preconceituosas na sociedade.
Ademais, é relevante perceber que a cultura do cancelamento é, muitas vezes, produto de atos impulsivos que buscam apenas a difamação. O livro 1984, do escritor inglês George Orwell, descreve uma sociedade que vive constantemente em um “estado de ódio”, no qual as pessoas lidam com hostilidade e agem de forma violenta com os outros, sendo influenciados, principalmente, pelo fato de todos se comportarem agressivamente. Em paralelo à realidade, fica evidente que a cultura do cancelamento, assim como o estado de ódio, é uma concepção de massa que leva indivíduas a serem violentos por pura persuasão de uma opinião geral, o que faz com que muitos participem do movimento sem ao menos terem total conhecimento dos fatos e ajam de maneira impulsiva e ofensiva.
Portanto, fica evidente que medidas são necessárias para que os aspectos negativos da cultura do cancelamento sejam resolvidos. Para isso, o Ministério da Educação, órgão responsável pela definição das políticas educacionais brasileiras, deve promover debates escolares acerca de diversos temas que envolvam preconceito e injustiças sociais, por meio da inclusão destes na carga horária obrigatória das aulas de sociologia, a fim de proporcionar, desde a base educacional, o diálogo e a tolerância, além de dar espaço para discussões saudáveis e baseadas em argumentos racionais.