Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 26/09/2021

A Santa Inquisição foi um movimento político religioso ocorrido entre os séculos XII e XVIII que condenava teorias arbitrárias aos dogmas do cristianismo. Concomitantemente, a cassação pública ainda é presente na sociedade atual que, em contraposto à dominação da esfera digital, traduziu-se com uma estratégia de propagação do ódio por meio da “cultura do cancelamento”. Logo, destacando um complexo dilema sobre os limites do papel das redes sociais na busca por justiças sociais.

Em primeiro lugar, cabe destacar o estigma social referente à lógica predominante na era moderna. Nesse contexto, o momento atual é marcado pela introdução da Geração Z, nascidos entre 1990 e 2010, definidos como o grupo que usufruiu de pleno acesso à tecnologia desde o nascimento, correspondendo à um evento inédito na história, em que houve a autonomia do individuo frente a obtenção de notícias e dados, por consequência, houve a ascensão da ideia da internet como uma “terra-sem-leis”. Dessa forma, as redes sociais são utilizadas como uma perseguição inquisitorial reduzida a mesma abordagem da perspectiva do grupo vigente, ou seja, uma postura inconstante, rasa e volátil.

Ademais, cabe destacar o impacto de uma postura individualista. A Revolução Francesa, com destaque aos valores de liberdade e igualdade, inaugurou a era da razão, em que se estabeleceu a inerência do livre pensamento. Assim, na contemporaneidade, no cenário da supressão do meio físico, houve a imperialização de uma lógica inconsequente da liberdade irrestrita, salientando frente à “cultura do cancelamento”. Esse fenômeno representa um ambiente em que a condenação de ideias consideradas incoerentes se concretizou como um ataque reducionista, ao promover um revisionismo histórico linear, ignorando estrategicamente circunstâncias da época, enquadrando à métrica dos valores atuais. Dessa forma, destacando um paradoxo, já que a conexão intencionada pela massificação do uso da internet representou um retrocesso.

Todo esse cenário, portanto, revela embates que devem ser revertidos. Nesse sentido, uma forma eficiente de reduzir uma prática nociva é atacando seus efeitos, não suas causas mais evidentes. Para tal, o Ministério da Ciência, órgão responsável por promover áreas estratégicas de estímulo do desenvolvimento tecnológico, deve implementar dentro das atividades escolares projetos que destaquem a conexão dos alunos utilizando o lado positivo dos meios digitais, como debates por meio de plataformas virtuais e jogos que estimulem a pesquisa. Destarte, simultaneamente à introdução do estudo da Ética na matriz curricular, visa-se estimular o debate da justiça social de forma concreta, ao promover uma conduta crítica relacionada ao uso da internet.