Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 29/09/2021
O programa televisivo Big Brother Brasil, retratou a vida de uma participante bastante conhecida cuja sua profissão é cantora e apresentadora, denominada de Carol conká. Ao longo da exibição, foi revelada pela Carol a disseminação de discursos de ódios com os outros participantes, assim como a reprodução de questões como xenofobia e assedio, fazendo com que sua eliminação ocupasse o recorde mundial de rejeição, mais de 99%. Fora do programa, é fato que a realidade vivida por Karol mudou-se completamente, visto que agora com o status de cancelada, foram proporcionadas a ela perdas significativas, como também o ocasionamento de problemas de saúde severos.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que o termo cancelamento vem especificamente com a era digital e tecnológica, na qual um indivíduo em suas redes sociais ou programas televisivos opinam ou reproduzem atos contrários aos seus seguidores. Sendo assim, partes dos cancelamentos chegam ao individuo cancelado de forma degradante, com o objetivo de denegrir a imagem da pessoa em meio a sociedade e consequentemente fazer com que ela perca trabalhos, contratos e até o direito de frequentar determinados lugares, com a possibilidade de exclusão, provocação ou mesmo maus tratos. Nesse sentido, com a cultura do cancelamento, foi permitido que indivíduos influentes vivessem de forma fictícia, opinando somente de acordo aos scripts não canceláveis.
Em segundo lugar, como ocorrido com a Karol, o pós-cancelamento tem a propensão de desenvolver riscos à saúde mental do indivíduo. Dessa maneira, problemas como ansiedade, depressão e ataques de pânico normalmente são adquiridos com a cultura excludente e deteriorante do cancelamento, com a falta de empatia que além da correção, tem-se a necessidade também do apedrejamento. Essa conjuntura, segundo as ideias do filosofo contratualaista John Locke, figura-se como um ‘‘contrato social’’, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis a todos, como é o caso da isonomia social e consequente evitação da exclusão.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o empasse. Logo, cabe ao Governo Federal, com o apoio da mídia, na criação de campanhas e palestras informacionais desde as escola e ambientes de trabalho, até a internet e televisão. Dessa maneira, é importante que profissionais da área sejam contratados para presidir tais palestras com o esclarecimento e importância do não cancelamento, com dados e depoimentos de pessoas já canceladas, expondo seus sofrimentos, assim como o desencadeamento das sequelas. Neste viés, fará com que os indivíduos tenham ciência a respeito de tais atitudes canceláveis, assim como a desnecessidade delas no momento da correção.