Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 01/10/2021
Após a Revolução Técnico-Científico-Informacional, do século XX, as redes sociais tomaram proporções assustadores nas divulgações de ideias. Entretanto, a falta de educação digital acarretou em problemas, como a cultura do cancelamento. Sob essa ótica, houve um cuidado maior por parte dos usuários nas suas postagens, bem como uma exclusão social e vingança com as próprias mãos, fatores esses preponderantes para o desequilíbrio social.
A princípio, é fundamental ressaltar que a cultura do cancelamento nas redes sociais surgiu com o objetivo de identificar e reprimir atitudes preconceituosas e intolerantes. Desse modo, as pessoas ficariam mais cautelosas em expressar as suas ideias. No entanto, o cancelamento passou a ser apenas algo coercitivo, sendo que esse deveria ser também educativo. Segundo a Constituição Brasileira de 1988, os cidadãos têm o direito de manifestar a sua opinião e a liberdade de se expressar respeitando os direitos humanos. Nesse viés, quando o discurso ofende o outro, é importante que haja diálogo e o ensino sobre empatia e alteridade, e não apenas opressão.
Ademais, convém relacionar que a exclusão social e a vingança nas redes socias são frequentes nas divergências de pensamentos. Exemplo disso foi o fato ocorrido em Guarujá, São Paulo, em 2014, na qual uma mulher foi espancada até a morte despois de ter fotos divulgadas e associadas falsamente a magia negra com criança. Percebe-se, nesse contexto, a falta de senso crítico das pessoas em divulgar fake news, além de agir de forma intolerante, violenta e insensível. Por conseguinte, o cancelamento passou a não ser restrito apenas às redes sociais, fazendo com que alguns fossem cancelados eternamente. Logo, o bom senso e a crítica devem fazer parte das atitudes de todos os cidadãos.
Infere-se, portanto, que medidas precisam ser tomadas a fim de resolver esses impasses para que haja uma convivência mais harmônica. Em vista disso, cabe ao Ministério da Educação, como instância máxima na esfera educativa, inserir na grade curricular aulas de educação midiática, e o ensino dos princípios constitucionais, com o objetivo de que os discentes conheçam desde cedo os seus direitos e deveres, além de vivenciar com a realidade digital, os seus malefícios e os prejuízos que um simples clique pode causar. Assim, a geração futura não terá os mesmos problemas que a atual.