Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 06/10/2021

Nos tempos remotos na Grécia Antiga, existiam “punições exemplares” como espancamento e afogamento para todos os tipos de delitos que eram cometidos, essas punições eram aplicadas, geralmente, para criminosos da época. Por conseguinte, nos dias atuais, as condenações são empregadas através das redes sociais, por meio do cancelamento, um ataque à reputação dos indivíduos que realizam algo considerado inaceitável. A cultura de cancelar alguém virtualmente é gerada pela coletividade repleta ora pelo egocentrismo, ora pela mendacidade.

Na série “The Good Place” é retratado o paraíso e, em teoria, as pessoas apontadas como justas seriam levadas para lá. Contudo, a personagem principal, Eleanor, que é encaminhada ao “bom lugar” é uma pessoa egocêntrica e, portanto, sua acomodação no céu causa estranhamento. A trama se desenvolve quando Eleanor recebe uma segunda chance, todavia, fora da ficção, os sujeitos que executam a invalidação do outro detêm um elevado individualismo, uma vez que determinam sua tese como única e verdadeira, não concedem abertura para aquisição do próximo, nem tampouco para uma segunda chance, causando impactos psicológicos aos invalidados.

Além disso, da mesma forma que o egocentrismo é um dos originadores do cancelamento, a mendacidade incentiva tal conduta, pois acreditam que só o outro é capaz de cometer erros e por isso deve ser julgado e banido da corporação. Em refutação, o sociólogo Auguste Comte defende que a sociedade é como um organismo vivo e precisa de todas as partes para a construção de um corpo social próspero. À medida que a hipocrisia se sobressai, torna-se impraticável os debates construtivos na internet e, consequentemente, ao invés de haver uma progressão coletiva, há anulação da minoria que por sua vez, enfrenta todos os julgamentos de forma oprimida.

Diante do exposto, pode-se afirmar que a cultura do cancelamento vai contra os princípios da justiça social. Para amenizar essa problemática, faz-se necessário que as ONGs- responsáveis por aumentar a eficiência das políticas públicas- realizem campanhas informando sobre os impactos desumanos que essa condenação excessiva causa. Deve ser aplicada por meio das redes sociais, por ser o cenário central da polêmica, em prol da empatia e solidariedade coletiva. Assim será possível uma conscientização em massa de que a construção moral depende da troca de idealizações e não da eliminação. Dessa forma será viável alcançar a sociedade aliada descrita por Comte.