Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 12/10/2021
A Terceira Revolução Industrial, conhecida como Revolução Técnico-científica-informacional, acelerou o processo de globalização e facilitou significativamente as trocas comerciais. No entanto, aflorou problemas nas relações sociais, como a cultura do cancelamento, impulsionada pela falta de habilidades socioemocionais da população e características das relações na pós-modernidade.
Diante desse cenário, é preciso analisar de que modo a educação atual corrobora para o problema. Conforme o educador Paulo Freire, a escola não deve se limitar apenas a transmissão de conhecimentos técnico-científicos, mas também habilidades socioemocionais, como respeito e empatia. Nesse viés, o cancelamento - se tratando de uma forma de boiocote e não de ensinamento - demonstra a consequência da forma apenas técnica de educação na qual crianças são submetidas atualmente, limitando assim qualidades essenciais na vida coletiva.
Ademais, a forma das relações estabelecidas na contemporaneidade favorecem a propagação do cancelamento. De acordo com o filósofo Zygmunto Bauman, a sociedade hodierna se estrutura no que o autor denominou como ‘‘modernidade líquida’’, na qual há um predomínio do individualismo e imediatismo. Nesse sentido, as demandas individuais por mudanças de comportamento considerados inadequados, juntamento com a rapidez com que as relações são estabelecidas, dificultam o aprendizado por parte do ‘‘cancelado’’.
É notório, portanto, que as características culturais da contemporaneidade supracitados impulsionam a cultura do cancelamento. É imprescindível, portante, que o Ministério da Educação, através de financiamento governamental, implante nas escolas aulas sobre condutas de respeito e empatia, afim de fazer com que os alunos lidem melhor futuramento com possíveis discordâncias e possam discutir sobre comportamentos inadequadas. Assim, convergências poderão surgir do divergente.