Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 12/10/2021
Segundo o artigo 220 da Constituição federal, todo o indivíduo possui o direito de manifestar o seu pensamento sem nenhuma forma de restrição. No entento, com o surgimento da cultura do cancelamento, que em grande parte das vezes visa linchar, virtualmente, quem pensa de forma distinta, a população tem sido privada de se expressar em redes sociais, que ocorre, principalmente, devido à falta de empatia, no ambiente virtual, e traz diversas consequências psicólogicas para a vida da vítima.
Inicialmente, vale ressaltar que, com o surgimento das tecnologias da informação, a empatia tem se tornado cada vez mais escassa, o que favorece os linchamentos virtuais. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, o contexto virtual enfraquece as relações sociais e, consequentemente, diminui sentimentos de amizade e empatia, uma vez que, não é preciso ter contato direto para se comunicar com alguém. Dessa forma, o indivíduo que pratica justiçamento em redes socias tende a não compreender o impacto de suas ações na vida da vítima, devido a falta de empatia, o que colabora para que este comportamento se torne cada vez mais comum. Sendo assim, são necessárias medidas que visem informar a população acerca dos malefícios da cultura do cancelamento.
Ademais, o justiçamento virtual traz diversas consequências psicológicas para os atingidos. Como exempo disso, pode-se citar o suicídio do jovem Lucas Santos, filho da cantora Walkyria Santos, fato que ocorreu após o adolescentes ter recebido diversas críticas, em suas redes sociais, decorrentes de um vídeo publicado por ele. Logo, este episódio evidencia como a cultura do cancelamento pode ser nocíva e prejudicial ao psicólogico das vítimas, principalmente, à pessoas que já estão, de alguma forma, fragilizadas mentalmente. Desta maneira, é necessário que seja prestado apoio psicológico às vítimas do justiçamento na internet.
Portanto, percebe-se que a falta de empatia é uma das principais causas da cultura do cancelamento, o que traz diversos danos psicológicos às vítimas. Em vista disso, é de suma importância que o Ministério da Educação, órgão responsável por gerir a educação, no Brasil, difunda conhecimento acerca dos malefícios do linchamento virtual e como essa prática priva os indivíduos da sua liberdade de expressão, prevista na Constituição federal, por meio de palestras em escolas e propagandas em TV aberta, evitando, assim, a ampliação desse comportamento. Além disso, também é essencial que o Ministério da Saúde, instituição que administra a saúde, no país, busque reduzir as consequências da cultura do cancelamento, por meio do fornecimento de assistência psicológica gratuita para as vítimas, em postos de saúde.