Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 15/10/2021
No programa Big Brother Brasil, em 2021, a cantora Karol com K foi alvo de diversos ataques de haters por ter feito ações discriminatórias com outro participante do reality, levando-a ser cancelada nas suas redes sociais e perdendo vários patrocinadores. A realidade vivida por Karol está se tornando cada vez mais comum nos ambientes virtuais, quando pessoas com mais visibilidade apresentam discursos preconceituosos. Nesse sentido, é necessário observar tanto o papel das redes sociais, como a falta de empatia dos brasileiros com o intuito de mitigar a cultura do cancelamento.
Em primeira análise, é fundamental pontuar a influência das redes sociais na cultura do cancelamento. O documentário “O dilema das redes”, revela a maldade da utilização dessas redes sociais, visto que ela retrata a dicotomia entre a exposição exagerada da vida dos usuários e a restrição do conteúdo compartilhado, mostrando apenas aspectos positivos de suas vidas. Entretanto, quando pessoas públicas se mostram contrárias a pensamentos comuns, se tornam alvos de haters que atacam seus perfis para destruírem seu trabalho e consequentemente, suas vidas, tornando-as fontes de piadas que podem ter consequências eternas para a pessoa cancelada. Desse modo, faz-se necessária a mudança de postura da comunidade virtual.
Ademais, é imperativo ressaltar a falta de empatia como responsável pelo crescimento da cultura do cancelamento. Segundo o filósofo Byung Chul-Han, o século XX| é denominado por uma sociedade do desempenho, na qual a individualidade é extremada em detrimento do altruísmo. Nesse panorama, o indivíduo, imerso em si mesmo, não consegue enxergar e aceitar a pluralidade de seres humanos que o circundam. Dessa forma, o cidadão inserido nessa lógica não aceita pensamentos contrários aos seus levando-os a cometerem ataques nas redes sociais de pessoas públicas que demonstram seus pensamentos em rede nacional, não respeitando a liberdade de expressão que é garantida pela Constituição federal. Dessa maneira, evidencia-se a necessidade dos cidadãos de praticarem a empatia em suas vidas.
Portanto, é mister a adoção de medidas que combatam a cultura do cancelamento nas redes sociais. Nesse contexto, cabe a mídia, responsável por influenciar a vida de muitas pessoas, não apoiar ataques a pessoas públicas em suas redes sociais, por meio de campanhas televisivas que mostrem o resultado do cancelamento e que as pessoas são capazes de mudarem de opinião sobre seus atos, a fim de que todos possam se expressar abertamente sem medo de serem canceladas em suas redes sociais. Com essa ação, influenciadores digitais não enfrentarão as mesmas adversidades vividas por Karol no BBB.