Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 19/10/2021

Nego do Borel, Karol Conká, Pyong Lee são apenas três das inúmeras vítimas que sofreram com linchamentos virtuais. O debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea vem se tornando mais evidente. Diante disso, observa-se que tais ações se dão pela falta de empatia dos usuários e agressores, tendo como consequência a formação de distúrbios físicos e mentais nas pessoas canceladas.

Deve-se pontuar, de início, que influenciadores digitais, cantores e atores por trabalharem vinculados às mídia digitais, se tornam figuras públicas, tendo seus costumes e pensamentos compartilhados com todos no ambiente cibernético. Nesse sentido, tais pessoas se tornam os principais alvos para o cancelamento, sendo justificados como uma forma de punição e uma maneira de realizar a justiça social. De acordo com o Sociólogo Jurgen Habermas, a população se torna refém do agir comunicativo, tendo a razão interrompida, pois todos passam a agir de acordo com os padrões, deixando de lado a ética comum. Nesse sentido, a cultura do cancelamento quando usada como forma de agressão e que não trará benefícios sociais, ela deve ser combatida.

Em razão aos fatos mencionados, a liberdade de expressão passa a ser usada de maneira errônea, a fim de julgar os atos das figuras públicas de maneira cruel e violenta. Desenvolvendo então na vítima distúrbios emocionais e físicos, como, ansiedade, depressão. A série Black Mirror em um de seus episódios faz uma crítica a essa prática, mostrando que nos dias atuais os congeladores decidem quem irá viver ou morrer no meio digital, usando a liberdade para combater a liberdade. Tal moral faz referência a fala de John Goodenough, que diz: “A tecnologia é moralmente neutra. O que interessa é o que fazemos com ela.”, por isso, para que haja mudança, os usuários devem compreender seus limites e deveres na internet, respeitando o próximo sempre.

Portanto, é de suma importância garantir mais empatia e respeito no mundo virtual. Para isso, cabe ao Ministério da Educação junto ao Ministério da Saúde desenvolverem palestras educativas para toda comunidade, tendo como objetivo explicar o que é a cultura do cancelamento, a fim de que todos entendam os prejuízos gerados por ela e, que se sintam incentivados a garantir a erradicação de tal fenômeno. Paralelo a isso, cabe ao Ministério da Saúde desenvolver acompanhamento psicológico a todas as vítimas do cancelamento digital, para que essas possam aprender com seus erros. Garantindo então o bem estar de todos.