Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 29/10/2021
Segundo o filósofo Rousseau, a decadência do homem nasce do seu progressivo contato social. Diante disso, na sociedade contemporânea a internet promove o contato progressivo e imediato entre as pessoas, entretanto, ao invés de ser usada de forma benéfica, tem sido palco para o surgimento de discursos de ódio. Assim, estabelece-se a cultura do cancelamento, a qual ocorre pelo desejo de punição da população e, ainda, pode causar consequências irreversíveis aos “cancelados”, confirmando a depravação do homem pela sua socialização.
Nessa perspectiva, a ideia de “justiça com as próprias mãos”, intensamente propagada na atualidade, funciona como lógica punitiva pela sociedade e corrobora com a manifestação de discursos de ódio na internet. Isso posto, dado que a internet é um espaço aberto para postagens dos mais variados tipos, é comum a exposição de posicionamentos sobre certos assuntos. Contudo, nem sempre há concordância com todas as ideias manifestadas, ocorrendo posicionamentos que compactuam com ideais preconceituosos, o que leva a população da rede a “cancelar” o indivíduo que fez tal publicação. Assim, a cultura do cancelamento configura-se como um ataque a pessoas com manifestações errôneas e, ao contrário de punir de forma educativa, destrói a vida social do “cancelado”
Nesse sentido, a antropóloga Rosana Pinheiro afirma que cancelar é sempre negativo. Desse modo, a cultura do cancelamento dificulta o diálogo entre as pessoas e impossibilita uma mudança de opinião e atitude por parte do cancelado, o qual se vê isolado do convívio em sociedade. Sendo assim, os indivíduos sofrem para além da internet, desenvolvendo problemas psicológicos, como depressão e ansiedade e, ainda, vêem suas vidas sociais destruídas, com a suspenção de empregos e o afastamento de pessoas que antes eram próximas. Assim, busca desenfreada por “fazer justiça” traz efeitos negativos a vida em socidade, e não cumpre, de fato, a justiça com a população.
Dado o exposto, é perceptível que a cultura do cancelamento é um fenômeno negativo no Brasil e, portanto, deve ser combatido. Dessa forma, o Ministério das Comunicações, por meio das redes sociais e do discurso de influenciadores sociais, deve divulgar as consequências dos discursos de ódio atrelados à cultura do cancelamento, para que os “canceladores” desenvolvam empatia e percebam que o cancelamento não é a melhor forma de justiça. Feito isso, espera-se que o contato social em rede seja benéfico e, por fim, os posicionamentos expostos na internet sejam debatidos de forma justa, evitando ataques de ódio.