Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 29/10/2021

A inserção da tecnologia na sociedade contemporânea trouxe inúmeras mudanças nas dinâmicas interpessoais: as distâncias foram encurtadas, a comunicação ficou mais veloz e conhecer novas pessoas se tornou muito mais fácil. Entretanto, internet também trouxe diversos problemas como, por exemplo, o poder de julgar atos de pessoas desconhecidas. Desse modo, a cultura do cancelamento ganhou força e muitas pessoas são psicologicamente prejudicadas com isso, além ser não existir o amparo judicial necessário para os casos de linchamento virtual.

Cabe destacar, em primeiro lugar, que, nos últimos anos, a cultura do cancelamento tem se tornado cada vez mais comum, ou seja, por conta de pequenos erros expostos na internet, muitas pessoas têm sofrido com a violência extrema de haters. Um exemplo é o caso da influenciadora digital Gabriela Pugliese, a qual, após ter contraído a COVID-19, deu uma festa em sua casa e logo depois foi amplamente criticada nas redes sociais. Apesar de ter reconhecido seu erro, a blogueira expôs as diversas ameaças de morte que recebeu com a grande repercussão do caso e falou sobre os prejuízos para sua saúde mental.

Ademais, ainda é possível ressaltar que, na maioria dos casos de linchamentos virtuais, não há punição para nenhum dos internautas envolvidos. Todavia, apesar da internet transparecer uma sensação de impunidade e anonimato, atacar outro usuário virtualmente é crime previsto em lei, além de também se enquandrar em danos morais. Porém, as medidas judiciais ainda são muito precárias e a maior parte dos casos não é julgada corretamente, segundo dados do Governo Federal.

Torna-se evidente, portanto, que a cultura do cancelamento é prejudicial para toda a população brasileira. Desse modo, o Ministério da Tecnologia deve promover uma maior fiscalização, através de softwares, de linchamentos virtuais, além de garantir o julgamento desses atos para garantir a segurança virtual e psicológica de todos os brasileiros. A partir dessas medidas é possível reduzir o número de casos de ataques virtuais.