Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 08/11/2021
Durante o período de Ditadura Militar no Brasil (1964-1985) pessoas que se virassem contra o Governo autoritário vigente, poderiam ser censuradas em penosas torturas, se não mortas. Paralelamente, na sociedade brasileira atual, é existente uma repreensão denonimada de “cultura do cancelamento”, de modo que uma figura pública tem seu perfil nas redes sociais repudiado em inacessos, além de grandes críticas destrutivas a sua imagem, após ter dito ou cometido algo considerado antiético. Destarte, a injustiça tem inicio na correção em foco na lógica punitiva, como consequência no desamor oferecido para o acusado.
Em primeira análise, evidencia-se que a ideologia da punição é praticada de forma a “educar” brutalmente os pecadores da internet. Conforme disse o psiquiatra e escritor Augusto Cury, frágeis usam a violência e os fortes as ideias. Assim sendo, internautas fracos utilizam-se da violência psicológica, por meio de textos espinhosos que ferem o transgressor inibindo que o mesmo evolua como pessoa, por conseguinte, repare seu erro. Com efeito, caso substituísse palavras árduas pelo diálogo sábio e edificante, a ideia do cancelamento poderia ser mais eficaz.
Vale salientar, outrossim, que os indivíduos cancelados sofrem de antipatia por parte dos julgadores. De acordo com o filósofo grego Platão, aquele a quem o amor não toca, anda na escuridão. Logo, usar de ofensa contra a celebridade é pouco provável que ela erradique os seus preconceitos e altere a sua má conduta, porque em meio as trevas dos discursos de ódio, da repercussão hostil de seu caráter, a vítima fica negligenciada em não começar de novo e de, portanto, se arrepender. Para tal, a pessoa pode até voltar a cometer o ato, pois a justiça foi aplicada indevidamente, permanecendo assim, na escuridão como referia-se Platão.
Desta forma, infere-se, a tomada de medidas que minimalizem os danos que a cultura do cancelamento pode causar. Os vitimizados pela problemática devem juntar forças, atráves da realização de palestras e de debates transmitidos em vias on-line e off-line como nas redes sociais, rádios, programas de televisão e “podcasts”, mediante o auxílio dos grandes donos de emissoras de TV e demais líderes de meios de comunicação, tratando sobre o lado maléfico do ato de cancelar e, principalmente, propondo o diálogo reparador entre a porção internauta e ao que errou. Somente assim, não haverá mais dolorosa censura no mundo digital.