Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 17/11/2021
Em 2017 o movimento “#metoo”, através do Twitter, inspirou milhares de pessoas a denunciarem casos de assédio e exploração sexual, o que resultou em dezenas de prisões. Entretando, quando se observa o atual cenário da cultura do cancelamento, verifica-se que, na prática, o que era pra servrir como ferramenta de justiça social, transformou-se em uma arma que oprime, exclui e dessocializa o indivíduo cancelado, comprometendo a dignidade humana. Sob essa ótica, vê-se que tanto a ausência de medidas efetivas que garantam o caráter inofensivo das postagens nas redes, quanto a falta de altruísmo impedem o problema de ser resolvido.
Em primeira análise, é de suma importancia destacar que a concepção de que a internet é uma “terra sem lei” corrobora veementemente o empecílho em questão. Isso porque, erroneamente, alguns indivíduos acreditam que o aparente anonimato nas redes serve de subterfúrgio para proferir discursos de ódio em nome da liberdade de expressão. No entanto, enganam-se, visto que, segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, o que foi criado para servir como instrumento de democracia, não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Assim sendo, é crucial que haja uma fiscalização efetiva nas postagens das redes com o intuito de extinguir a liberdade de ofensa e garantir os direitos humanos.
Em segunda análise, é de homérica relevância ressaltar que a ignorância popular impulssiona o linchamento virtual. Nesse sentido, nota-se que a população tem feito das redes sociais um panótipo ideológico, no qual, ideias contrárias ao politicamente correto são banalizadas, ridicularizadas e expostas, fomentando a repressão em vez da discurssão sobre o assunto. Esse comportamento é consoante ao conceito de “banalidade do mal”, da filósofa Hannah Arendt, no qual afirma que, por estar em um ambiente propício, as pessoas têm perdido o senso crítico e normalizado atos excludentes por acreditarem estar de acordo com o discurso dominante. Sendo assim, é crucial investir em educação para garantir o bem-estar e justiça social.
É dever do Ministério da Educação, portanto, contribuir com a desconstrução da ignorância popular. Esse processo deverá ocorrer por meio do ensinamento de matérias humanisticas nas escolas, como a filosofia e a sociologia, que proporcione a incorporação de valores morais e éticos, a fim de formar cidadãos altruístas e com senso crítico. Ademais, é vital que as redes socias fiscalizem o teor das postagens que são publicadas, com o fito de banir discuros de ódios e comentários ofencivos. Assim, poder-se-á garantir a concretização dos direitos humanos, a derrocada da liberdade de ofensa e a ascenção da liberdade de expressão.