Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 02/11/2021

Promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante à todos os indivíduos o direito à saúde, à segurança, e ao bem-estar social. No entanto, no cenário brasileiro atual, observa-se justamente o contrário com relação a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da impunidade, ausência de justiça, e seus impactos sociais e psicológicos.

Em primeiro plano, é preciso se atentar para ausência de punição presente na questão. Nessa perspectiva, a máxima de Martin Luther de que “a injustiça num lugar qualquer é uma ameaça a justiça em todo lugar”, cabe perfeitamente. Desse modo, tem-se como consequência a generalização da injustiça, e a prevalencia da insegurança coletiva no que tange aos ataques as livres manifestações de pensamentos e atitudes, fazendo “justiça com as próprias ferramentas”. Nesse viés, conforme o filosófo contratualista Jonh Locke, configura-se como uma violação do “Contrato Social”, em que o Estado negligência os direitos básicos dos cidadãos. Sob essa ótica, percebe-se que as ações promovidas pelo Estado são mínimas e ineficientes, uma vez que, atenta a saúde psicológica, e á segurança do individuo.

Além disso, os impactos do cancelamento social, encontra terra fértil no individualismo, e na falta de empatia. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Visto que, há como principal efeito à falta de empatia, pois, para se colocar no lugar do outro, é preciso deixar de olhar apenas para si. Essa liquidez que influi o aumento da política de exclusão do próximo, afetando o meio de subsistência e o psiquíco da pessoa afetada, o que funciona como um forte empecilho para a resolução do problema.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse problemática. Para que isso ocorra, urge ao Governo Federal em parceria com o Ministério da Tecnológia, e o Ministério da Educação, deve desenvolver meios através da inteligência artificial para identificar os envolvidos e punir, bem como ministrar palestras em escolas, para alunos nas instituições, e também para a comunidade, por meio de entrevistas com vítimas do problema, e com especialistas no assunto. Tais palestras devem ser webs conferenciadas nas redes sociais dos ministérios, com o objetivo de trazer mais lucidez sobre os impactos e consequências negativas que surgirão ao atacar as opiniões e ações do outrem, e assim atingir um público maior com estratégias de conscientização. Desta maneira, a cultura do cancelamento divergirá do cenário atual, e poderá os direitos preconizados na Declarção Universal prevalece.