Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 03/11/2021
No programa Big Brother Brasil, da TV Globo, em 2021, houve um caso de cancelamento da cantora Karol Conká, a qual, após ter atitudes questionáveis no programa, chegou a ser ameaçada de morte pelos telespectadores. Esse é apenas um exemplo do que ocorre diariamente com muitos brasileiros, devido a uma cultura agressiva nas redes, que tem como causa a falta de leis mais rígidas no ambiente virtual, o que gera problemas emocionais e até o suicídio das vítimas deste crime. Logo medidas devem ser tomadas para sanar tal chaga social.
A priori, cabe analisar o quanto as leis atuais de seguridade virtual são eficazes no combate ao cancelamento exagerado. Nesta perspectiva, entende-se que as redes sociais permitem um anonimato que, ao ser executado de forma ampla, por milhões de pessoas ao mesmo tempo, dificulta a punição aos envolvidos. Como a vigilância se dá por robôs ou em baixa escala, não se consegue executar firmemente as sanções contra os criminosos. Essa situação pode ser comprovada pela teoria do filósofo Michel Foucault, “A microfísica do poder”, na qual se infere que os indivíduos têm poder no coletivo e não no indiviual. Então, cabe aos governos e às empresas midiáticas aumentarem a punição legal para que ela possa identificar maiores grupos de facínoras na rede.
Ademais, vale ressaltar as consequências trazidas pela cultura do cancelamento. É possível notar que as vítimas, nestes casos, chegam a perder o emprego, milhares de seguidores, além de desenvolver traumas emocionais como depressão, ansiedade e síndrome do pânico, por exemplo. Nesse viés, entende-se que o cidadão cancelado é projetado em um lugar de exclusão, de ódio e de julgamento, a partir do qual se condena o indivíduo, sem, ao menos, que ele tenha defesa. Tal ideia pode ser observada no episódio “Queda livre”, da série “Black Mirror”, no qual a personagem Lacie, após perder o status social advindo de seus seguidores, entra em um processo de deteriorização e acaba internada com graves transtornos emocionais, o que pode ser visto com muitos brasileiros que são cancelados atualmente.
Portanto, medidas devem ser executadas para amenizar o problema. Primeiramente, cabe às empresas que administram as redes sociais criarem ferramentas humanas que possam identificar e punir rapidamente o usuário que cometeu o crime virtual. Além disso, é dever do Ministério da Saúde, associado às escolas, promover campanhas de conscientização a respeito das doenças socioemocionais causadas pelo cancelamento, bem como permitir atendimento no SUS gratuito a essas vítimas, a fim de que casos como o da cantora Karol Conká não se repitam no Brasil do futuro.