Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 22/07/2022

O termo “cultura do cancelamento” é empregado para exemplificar as ondas de ataques em ambientes, principalmente, virtuais. Para além da semântica, é possível observar o fenômeno supracitado na sociedade contemporânea brasileira, em que os efeitos são devastadores. Nesse sentido, percebe-se a configuração de um problema gerado pela inatividade, tendo como consequência a indignidade.

Ressalte-se, a princípio, que a passividade diante das informações é a causa da situação. Em consonância com o sociólogo francês Émile Durkheim, o sujeito é passivo frente à comunidade, isto é, o ser humano é moldado pelas massas hegemônicas. Essa perspectiva confirma o cenário hodierno do país verde-amarelo, pois a replicação de conteúdos “online”, sem investigação prévia das fontes, propicia o cancelamento, uma vez que notícias falsas sobre algo, ou alguém, podem ser publicadas, ocasionando, potencialmente, em comentários maldosos, direcionados aos alvos das publicações. Dessa maneira, tem-se a criação de um ambiente hostil, o que demonstra necessidade de reversão desse quadro lamentável.

Além disso, é importante mencionar que a desonra é resultante desse processo. Segundo a Constituição Federal de 1988, documento jurídico que rege todo ordenamento do Estado, em seu 1º artigo, a dignidade é direito de todos cidadãos brasileiros, ou seja, a comunidade, em geral, deve ser tratada com o mínimo de respeito. No entanto, na realidade, essa prática não vigora como determinado teoricamente, visto que a propagação de inverdades, aliada à grande circulação de dados, proporciona o surgimento de casos de difamação, pela facilidade de dissipação oferecida por eles. Por conseguinte, a população fica à mercê de sofrer humilhações públicas, por isso a alteração desse sistema é fundamental.

Portanto, é mister que o Governo Federal — órgão máximo responsável por regular os interesses administrativos em território nacional —, juntamente aos meios de comunicação, conscientize a sociedade civil, por meio de propagandas educativas exibidas em canais abertos, tendo por objetivo demonstrar os efeitos prejudiciais do cancelamento. Assim, espera-se que as tecnologias sejam vivenciadas de forma mais agradável e justa, como é descrito pela Carta Magna.