Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 05/11/2021

O filósofo Platão, desde a Antiguidade, já afirmava que “errar é humano, mas perdoar também é”. No entanto, com a explosão do advento das redes sociais, os usuários sentem-se devidamente protegidos e anônimos para propagar qualquer tipo de ódio contra as pessoas e, desta maneira, se promove a cultura do cancelamento. Pode-se dizer, então, que a falta de segurança governamental, que assegura a irresponsabilidade na internet em prol dos usuários e a disseminação inconsequente de ódio pelos constituintes, são os principais agravantes do cenário atual.

Em primeiro lugar, deve-se ressaltar como a falta de seguridade que o governo disponibiliza na internet deixa os usuários vulneráveis não só a serem um alvo da cultura do cancelamento como de outros ataques tal quanto o cyberbullying, pedofilia, assédio digital entre outros. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto isso não ocorre em âmbito digital. Devido à falta de ação das autoridades, pessoas atrás da máscara digital podem cometer variados delitos contra o próximo e manter-se imune. Dessa forma, a internet comporta-se não só como uma ferramenta para otimizar o cotidiano das pessoas, mas como um local que, a qualquer momento, uma pessoa pode ser vítima de um ataque.

Ademais, em segundo lugar, a disseminação inconsequente de ódio provido dos constituintes das redes sociais também é considerada uma grande adversidade. De acordo com o pensamento de Tereza Carrera, a internet não é apenas a terra de ninguém, é também o cemitério de ilusões e um campo minado de más intenções. Assim, ao simplesmente disseminar julgamentos e cancelar quem errou, não se abre o campo fundamental da conversa, que é escutar e falar, de modo que o cancelado não tenha uma janela para redimir suas ações e evoluir o conjunto social no processo de desenraizamento de preconceitos.

Portanto, é fundamental a união da sociedade em prol do fim da cultura do cancelamento para o progresso da mesma. Infere-se, portanto, que a cultura do cancelamento, uma errônea noção de justiça social, é um verdadeiro impasse público. Sendo assim, para que nenhum constituinte seja injuriado, urge que o Governo Federal, em conjunto com o Ministério da Segurança, atuem em prol da população por meio de leis e fiscalizações efetivas, como garantir que usuários cuja atividade seja considerada inadequada sejam exclusos. Não apenas, a sociedade também deve contribuir por meio do boicote a sugestão do indivíduo com tais medidas, para que seja possível a oportunidade de evolução às pessoas que erraram, afinal, errar é humano e perdoar também.