Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 06/11/2021

O filme “Wi-fi Ralph”, catalogado pela Netflix, demonstra o espalhamento da internet e seas partes problemáticas, como o preconceito. Analogamente, no Brasil atual, se faz necessário acompanhar o fenômeno da cultura do cancelamento on-line, visto que é cada vez maior e mais discriminatório. Decerto, isso decorre tanto pela falta de empatia das pessoas, quanto pela falta de debates acerca do tema.

Sobretudo, é necessário destacar a não aceitação de opiniões diferentes por parte dos brasileiros, principalmente nos meios cibernéticos. Nesse panorama, a escritora Hanna Arendt, no seu conceito de “Banalidade do Mal”, afirma que as interações interpessoais são caracterizadas pela maldade, o que torna as relações mais caóticas. Nessa linha de raciocínio, percebe-se que a falta de sensibilidade para entender que pessoas possuem opiniões diferentes é uma manifestação das palavras de Arendt, tendo em vista que “cancelar”, ou seja, excluir socialmente, alguém por se expressar nas redes sociais acentua a desordem social. Dessa forma, é notório que, infelizmente, não se tem a liberdade de expor seus pensamentos sem ser julgado, de modo a agravar as relações conturbadas, destacada em “Banalidade do Mal”.

Além disso, cabe ressaltar a precária difusão do assunto como outro motivador alusivo ao cancelamento cibernético cultural. Nessa óptica, como afirmou o pedagogo Paulo Freire, “Se a educação sozinha não consegue transformar a sociedade, sem ela, tampouco a sociedade muda”. Em concomitância a essa assertiva, é evidente que a lacuna de debate sobre o “cancelamento” on-line contribui com sua manutenção, visto que, sendo pouco discutido, as pessoas não tomarão consciência dos efeitos negativos da prática, como as doenças psicológicas - ansiedade, depressão, ataque de pânico - nas vítimas, tendo em vista que essas se sentirão excluídas e rejeitadas. Dessa maneira, percebe-se que a escassez no ensino, no que concerne ao preconceito com teses opostas, faz da afirmação de Freire, tristemente, uma realidade.

Logo, medidas são necessárias para mitigar a cultura do cancelamento nas redes. Assim, cabe ao estado, poder Executivo no âmbito da União, por meio de parcerias público-privadas, publicar propagandas sobre a exclusão nas redes sociais, como Facebook, Instagram e Twitter, com o fito de conscientizar a sociedade brasileira, mostrando a necessidade de ter consciência, empatia e respeito com a opinião do próximo. Espera-se, com isso, tornar menos caóticas as relações interpessoais nos meios virtuais como aquelas representadas no conceito de “banalidade do mal”.