Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 08/11/2021

Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, caracterizada pela ausência de conflitos e problemas. Entretanto, o que se observa na realidade brasileira é o oposto ao descrito pelo autor, haja vista que a cultura do cancelamento é crescente no país. Esse avanço é preocupante, pois o linchamento virtual na medida que luta contra condutas politicamente incorretas pode provocar injustiças sociais e destruir a vida de pessoas inocentes. Desse modo, é preciso buscar meios para conter esse movimento, atuando, para isso, sobre as principais causas de sua expansão: a negligência governamental e o silenciamento das escolas.

Inicialmente, é necessário compreender que o descaso governamental no que tange à discussão sobre a cultura do cancelamento colabora para que o movimento seja crescente no territótorio nacional. Sob esse viés, segundo o contratualista Thomas Hobbes é dever do Estado garantir o bem-estar dos cidadãos. Todavia, a ausência de ações voltadas para dar suporte àqueles que foram alvos do linchamento virtual, bem como para conscientizar a população acerca dos prejuízos que esse movimento trás, demostram o quão o poder público é negligente ao seu papel. Ora, se o Governo não se preocupa em discutir uma pauta que interfere no bem-estar do corpo civil, entende-se o porquê ela ainda não foi freada no país.

Ademais, a falta de debates nas instituições de ensino sobre o tema contribui para que ele perdure na realidade nacional. Isso ocorre porque muitas escolas ainda seguem o modelo de educação bancária -baseado apenas no depósito de conhecimentos- criticado pelo pedagógo Paulo Freire. Nessa perspectiva, muita vezes, há uma preocupação apenas com a transferência de conteúdos técnicos e não se incita em sala de aula discussões sobre a realidade social, como acerca dos prejuízos da cultura do cancelamento e as inúmeras outras maneiras de amplificar a voz de grupos minoritários. Com isso, são formados indivíduos que, por não serem ensinados a refletir sobre, julgam linchar o outro como a melhor atitude para promover a igualdade civil e, por isso, continuam exercendo-a.

Portanto, fica claro que a despreocupação governamental e a postura passiva das escolas são verdadeiros consolidadores da crescente onda de cancelamento no Brasil. Assim, a fim de reverter essa situação, o governo federal, por meio de um Decreto Federativo, deve estabelecer um Plano Nacional de Combate à Cultura do Cancelamento para que a população seja alertada sobre os efeitos desse tipo de manifestação e, dessa maneira, ele deixe de existir. Destarte, esse Plano deve disponibilizar verbas com intuito que campanhas de conscientização sejam feitas, além de promover uma alteração na Base Nacional Comum Curricular para garantir que essa problemática seja debatida em sala de aula.