Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 10/11/2021
A internet é uma das ferramentas mais inovadoras, no quesito comunicações, que o ser humano foi capaz de criar no século 21. Visto isso, nesse meio virtual, surgiu um movimento chamado de “cultura de cancelamento”, o qual, a partir da opnião de um usuário, é capaz de atingir diretamente a vida virtual e pessoal de uma pessoa. Nesse contexto, há dois impactos dessa cultura, são eles: quando usado negativamente, tolhe o direito de opnar e, positivamente, dá voz e espaço para minorias.
A princípio, de acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, é inalienável, a todo cidadão, o direito a liberdade de expressão e opnião. Isso significa que, é um direito irrenunciável e não pode ser tolhido por leis humanas. No entanto, quando o assunto é a cultura de cancelamento, um indivíduo quando exprime sua opnião negativa acerca de um gosto musical por exemplo, e é mau visto por um grupo social que curte esse tipo de música, está sujeito a ter seu direito constitucional tolhido, uma vez que poderá haver a mobilização desse grupo para difamar, lançar ataques de ódio, e suprimir esse comentário supostamente negativo na web. Nesse contexto, os demais usuários, ao ver esse cancelamento, pode ficar com receio de expôr sua opnião na internet e sofrer ataques da mesma maneira, e assim há o tolhimento, não apenas de um indivíduo, mas de vários.
Ademais, o filósofo Zygmunt Bauman, diz que vivemos uma modernidade líquida, na qual as relações sociais, econômicas e de produção são frágeis e maleáveis, como os líquidos. Para o escritor, vivemos numa época em que as relações mudam com extrema facilidade. Nesse contexto, há uma mudança radical proporcionada pela internet e sua “cultura de cancelamento”, se antes grupos de minorias - como negros, homossexuais, e alguns religiosos - sofriam preconceitos e violência sem se quer ser relatado ou ser de conhecimento da maioria, hoje em dia, no Brasil, o mundo web é capaz de expôr e denúnciar, a milhares de pessoas, esses tipos de crimes. Dessa maneira, há o engajamento da população para cancelar e reprimir essas ações negativas, e dar voz e espaço para essas minorias.
É evidente, portanto, que a “cultura de cancelamento” tem seu lado negativo - quando tolhe a liberdade de expressão, por motivos banais- e o positivo - ao dar voz para minoriais. Logo, os administradores de redes sociais, como o facebook e o twitter, devem controlar o cancelamento na web, através do monitoramento das opniões e comentários mais vizualizados no momento, para que haja o discernimento de um comentário com opnião banal, sobre um gosto musical por exemplo, e de um feito para denúncia de crimes de racismo, homofobia ou intolerância religiosa. Dessa maneira, o administrador poderá dar destaque para que o cancelamento seja direcionado para o autor desses crimes, -dando espaço para a luta das minorias- e não para um usuário que não gosta de sertanejo.