Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 10/11/2021

Para o sociólogo Durkheim, a coerção social caracteriza-se pela pressão e repressão que a sociedade exerce sobre o indivíduo por meio de leis e normas sociais. Nesse sentido, em paralelo à sociedade contemporânea, nota-se uma cutura problemática do cancelamento àqueles que, por vez, tiveram uma atitude que se encontra em discordância aos valores considerados corretos pela sociedade. Nesse contexto, tal cutura é fruto do silenciamento e da má influência midiática.

Deve-se pontuar, de início, que o silenciamento acerca das consequências do cancelamento configura-se como um grave problema. Segundo a colunista Stephanie Ribeiro, o linchamento virtual é uma forma rasa e ineficiente de lidar com questões estruturalmente complexas. Sob essa lógica, ao passo que os internautas consideram o linchamento como uma forma de aprendizagem para o cancelado, tal atitude não se mostra tão eficiente, sendo que a forma de lidar com um erro de uma pessoa deveria ser o diálogo, e seus efeitos na vítima deveriam ser mais expostos.

Em uma segunda análise, a má influência midiática também se apresenta como um intensificador da gravidade do problema. De acordo com Pierre Bourdieu, aquilo que foi criado para se tornar um instrumento da democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Diante dessa perspectiva, a mídia, em vez de acatar estritamente às expressões públicas de cancelamento, deve atender à sua função social e tratar o assunto de forma responsável e eficiente, proporcionando rodas de  debate e de conversa para conscientizar a população e o alvo do linchamento.

É necessário, portanto, que ações sejam desenvolvidas para a resolução desse problema. Conforme a máxima de Habermas, a linguagem é a verdadeira forma de ação. Paralelamente ao pensamento do filósofo, as emissoras de canais abertos de televisão devem desenvolver reportagens e rodas de conversa no que tange à cultura do cancelamento e seus efeitos, com o intuito de informar e conscientizar a pessoa linchada, além de conscientizar a sociedade sobre a superficialidade do processo de linchamento, proporcionando, dessa forma, mais debate, informação e empatia entre os indivíduos da sociedade contemporânea.