Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 12/11/2021
“Há uma sensação de que, na internet, se não fizermos o cancelamento, as pessoas que cometem os erros não serão mais punidas”, fala de Guilherme Franco, professor de Sociologia e Filósofia. Desse modo, tem-se a cultura cancelamento, sendo uma forma de penalizar pessoas virtualmente. Nesse prisma, destacam-se aspectos importantes, como o fato de que o cancelamento gera um ciclo vicioso de críticas, que, em consequência, proporciona fatores de riscos à saúde mental, ademais, nota-se que o ‘‘cancelado’’ sempre será marcado por suas ações passadas.
Em primeiro análise, evidencia-se que cancelamento virtual transforma-se, em muitos casos, em lichamentos nas redes sociais, como forma de punição e repreensão, dado isso percebe-se que há um ciclo de comentários prejudiciais, pois, a pessoa que crítica recebe os julgamentos de volta por meio de comentários ofensivos. Sob essa ótica, destaca-se a cantora Karol com K, que após sua participação em um reality show, passou a ganhar a condenação de muitos telespectadores do programa, sendo que diversos possuiam cunho racista, ameaças contra a sua vida e a do seu filho, por conta de falas xenofóbicas e por ser acusada de práticar pressão psicológica contra outro participante, Lucas Penteado. Dessa forma, observa-se que ambos foram prejudicados pela ação, dado a perseguição que a ela foi feita e as consequências psíquicas a ele propocionadas.
Diante do exposto, percebe-se que a atitude a qual levou o indivíduo a ser cancelado, muitas vezes é retornada no decorrer da sua vida, pelo fato de sua repercussão e efeito. Dessa forma, realça-se citação do psiquiatra Caliano Brazuna: “cria-se uma ideia que se a pessoa errou naquela atitude, logo ela será sempre daquele jeito”. Consoante a isso, pode-se salientar que diversos seres humanos buscam a mudança diariamente, então, tendem a mudar seus pontos de vistas e ações passadas e que o reaparecimento do assunto é capaz de o fazer lembrar gatilhos emocionais, ou seja, memórias traumatizantes.
Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham dimuniur o cancelamento cultural na sociedade contemporânea. Desse modo, cabe a mídia, como importante dispositivo ideológico, desenvolver campanhas, por meio das redes socias, com o intuito de conscientizar as pessoas sobre os malefícios do ato de se cancelar e a necessidade de não atacar a pessoa “cancelada”, porque essa tem o potencial de mudar. Para mais, o Ministério da Saúde, como responsável pela administração da saúde pública, promover a divulgação da relevância de se fazer terapia para superar os traumas psicológicos, por meio da internet, a fim de ajudar as pessoas a superá-los. Com isso, encontram-se meios para erradicar tal ação que causa tantos danos.