Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 14/11/2021

No episódio “Odiados Pela Nação”, na série britânica Black Mirror, tece uma crítica ao discurso de ódio presente, principalmente, nas redes sociais, além de suas consequências na sociedade. Fora da ficção, o Brasil apresenta as mesmas características no que se refere à cultura do cancelamento na internet. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos importantes para debater: a falta de punições adequadas e a modernidade líquida.

Em primeira instância, é notório a falta de punições para controlar os discursos de ódio nas redes sociais. De acordo com o escritor ativista Martin Luther King, a injustiça em um lugar qualquer é uma ameaça a justiça em todo lugar. Sob essa perspectiva, nota-se a corroboração do pensamento do autor na sociedade hodierna no país, visto que indivíduos praticantes de discriminação, discurso de ódio e ameaças pessoais, muitas vezes, não recebem punições adequadas, o que acaba por agravar ainda mais esse impasse.

Em segunda instância, evidencia-se a revelância da “Modernidade Líquida”, que Zygmunt Bauman defende, segundo ele a sociedade atual é fortemente influenciada pelo egocentrismo. A tese do sociólogo pode ser observada especificamente na realidade brasileira, no que tange à questão da cultura do cancelamento na sociedade contemporânea, marcada pela falta de empatia, onde somente a própria opinião é válida. Nesse sentido, essa liquidez que influi sobre a situação funciona como um grande desafio à sua resolução.

Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham diminuir a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea. Dessa maneira, cabe o Ministério da Justiça realizar ações de penalidade, por meio da aplicação de multas e punições efetuadas pela Polícia Federal, aos individuos envolvidos em crimes cibernéticos, com a finalidade de reduzir a quantidade de infrações na internet. Somente assim, a realidade vivida na série ‘‘Black Mirror’’ ficará apenas na ficção.