Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 16/11/2021
A série “Clickbait” retrata uma população que critica, fortemente, um homem em decorrência de uma suposta atitude errada que ele cometeu. Embora ficcional, essa situação, de ataque desmedido a indivíduos que tenham praticado alguma ação desrepeitosa, infelizmente, é uma realidade no Brasil, dando início à chamada “cultura do cancelamento, fenômeno, por vezes, responsável por problemas psicológicos nos atacados. Diante disso, é fundamental a análise do assunto.
Primeiramente, cabe destacar a ausência do devido diálogo com aqueles que tenham agido de forma prejudicial a um grupo de pessoas. Nesse sentido, como afirma o filósofo inglês Francis Bacon, o ensinamento fornece meios para alterar o cenário vivido. Entretanto, a prática deturpa da tese do iluminista, uma vez que a sociedade ao presenciar uma atitude lesiva profere inúmeros insultos, muitas vezes, arbitrários, isto é, sem tentar estabelecer um espaço de conversa acerca do assunto para buscar elucidar ao autor da conduta o quão ofensiva ela pode ser, de modo que o pensamento dessa pessoa seja efetivamente modificado. Logo, críticas desproporcionais impossibilitam que tais comportamentos sejam, de fato, alterados.
Outrossim, vale ressaltar que a “cultura do cancelamento” supracitada gera sérias consequências àquele que está sob ataque. Nessa lógica, como evidencia o contratualista John Locke, na obra “Ensaio”, os indivíduos são moldados a partir das experiências que vivenciam. Sob esse viés, ofensas constantes à moral daqueles que tenham praticado um ato considerado errado, ensejam, muitas vezes, em ansiedade generalizada e, ocasionalmente, em pensamentos suicidas nessas pessoas, em razão de não suportarem mais serem, frequentemente, hostilizadas. Urge, então, a mitigação desse panorama.
É imperioso, portanto, que o Ministério da Cidadania, fomentador da harmonia coletiva, promova propagandas, por meio de veículos midiáticos, que expliquem a importância da boa comunicação com pessoas que tenham agido de modo desrepeitoso, visando que o corpo social privilegie o diálogo em detrimento de ataques. Ademais, as instituições educacionais, mediante palestras, devem instituir campanhas que informem os malefícios que insultos causam, para atenuar essa prática. Assim, espera-se que os “cancelamentos” não sejam tão prejudiciais.