Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 17/11/2021
Em fala no programa da GNT, papo de segunda o rapper Emicida disse que toda discussão quando perde a profundidade e o bom senso passa a ser ruim e que a internet foi feita para discussões superficiais para que gerem engajamento. Dessa forma, a cultura do cancelamento, baseada em julgar as pessoas na internet de forma rasa, ganha forças. Esse fenômeno carrega problemáticas principalmente relacionadas à danos psicológicos e materiais.
É relevante abordar, primeiramente, que de acordo com o psiquiatra Galiano Brazuna, o linchamento virtual direcionado a pessoas na internet é caracterizado pela falta de esperança na redenção daquele que erra. Como consequência desse pensamento, são promovidas ações de ataques generalizados contra toda e qualquer falha cometida para que a pessoa errante seja punida. Esse comportamento pode ser causador de sérios danos psicológicos, como depressão, síndrome do pânico e ansiedade.
Concomitante a isso, o dano também é material e é marcado pela quebra de contratos e parcerias em vigor quando algum erro acontece. Como, por exemplo, a influenciadora digital Gabriela Pugliesi perdeu 8 contratos por realizar festa em sua casa durante a pandemia, em abril de 2020 e gritou palavras de desprezo a vida em seus stories. Isso acontece porque as marcas não querem estar relacionadas a profissionais “‘cancelados” e são pressionadas pelo seu público a retirarem seus contratos.
Com essas constatações, logo, se faz necessário que os que atacam e promovem linchamento virtual sejam responsabilizados pelos ataques promovidos. Isso deve ser feito por meio da criação e divulgação de leis para que a internet seja um local seguro e respeitoso para criadores e consumidores de conteúdo. Essa ação deve ser feita pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, responsável por garantir o cumprimento de direitos na internet e fora.