Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 17/11/2021

No livro ‘‘Utopia’’, do escritor britânico Thomas Moore, é retratada uma sociedade ideal, baseada na inexistência de conflitos sociais. Todavia, no Brasil hodierno, a comunidade perfeita pregada pelo autor citado acima, não é existente, à medida que aumenta-se os casos de seres humanos cancelados por outros, o que coloca em debate  a cultura do cancelamento atualmente. Dessa forma, o individualismo associada à manipulação midiática são fatores que colaboram para o nefasto panorama.

Em primeira análise, é imperioso destacar que o agir individual é um catalisador do hábito de cancelar as pessoas por parte da sociedade. Nesse contexto, consoante ao sociólogo polonês Zygmuund Bauman, a sociedade contemporânea é marcada pela liquidez das relações, isto é, o individualismo cada vez mais evidente entre os seres humanos. Dessa maneira, várias pessoas praticam a cultura de cancelamento sem pensar nas consequências dessa ação na vida do indivíduo cancelado ou pensando apenas nas concepções e ideias individuais, o que deixa evidente a postura individualista e a vivência líquida estabelecida pelo pensador citado anteriormente.

Outrossim, é mister ressaltar que o poder de influência da mídia é outro fomentador do problema. Nessa perspectiva, conforme os filósofos alemães Adorno e Hockeimmer, a plataforma midiática tem grande poder de manipular a forma de pensar e agir da população. Desse modo, a internet, a televisão e o rádio, com sua grande potência de manipulação, ao invés de incitar o respeito às diferenças, muitas vezes estimula sentimentos de raiva e aversão ao criar, por exemplo, fake news sobre determinado indivíduo, o que contribui para influenciar as opiniões dos telespectadores no que tange à pessoa em destaque na mídia.

Destarte, torna-se fundamental a tomada de medidas para a resolução da problemática supramencionada. Portanto, cabe ao Governo Federal, aliado ao Ministério da Educação, órgão governamental encarregado das questões educacionais nacionais, por intermédio do auxílio de parte da população que em um dado momento já foi cancelada, criar nas escolas e em locais públicos palestras que abordem a essencialidade de os jovens e adultos respeitarem as divergências de opiniões entre as pessoas e os prejuízos provenientes da cultura do cancelamento, a fim de reduzir tal atitude cultural na sociedade brasileira. Somente assim, o cenário contemporâneo será modificado e aprimorado.