Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 17/11/2021

O ostracismo era usado na Grécia antiga como forma de punição a todo e qualquer indivíduo que representasse um ameaça à democracia. hodiernamente, a cultura do cancelamento opera de forma muito semelhante, castigando aqueles que expressam alguma opinião contrária às crenças dos acusadores, conduzindo verdadeiros linchamentos virtuais e assassinatos de reputação. Nesse viés, dois motivos explicam esse cenário perturbador: o crescente extremismo ideológico na sociedade e a falta de leis na internet que coíbam esse tipo de comportamento.

Em princípio, a sociedade atravessa uma período turbulento de crescente radicalização política em decorrência da irresponsabilidade das redes sociais. À vista disso, a gigante da tecnologia “Facebook” enfrenta duras críticas pelos desastrosos danos que seu algoritmo causa nas opiniões públicas, facilitando a propaganção de notícias falsas e filtrando conteúdos para seus usuários, medidas essas responsáveis pela proliferação do extremismo ideológico entre os internautas. Dessa forma, percebe-se que o ambiente digital torna-se polarizado e hostil as diferanças, promovendo ataques contra aqueles de opiniões contrárias as defendidos pelas bolhas sociais formadas nesses espaços virtuais.

Outrossim, a impunidade impera nos ambientes digitais, faltando um legislação competente a punir transgreções ocorridas na internet. Posto isso, como defende o sociólogo Anthony Giddens, por maiores que tenham sido os benefícios levantados pelas tecnologias da informação, a falta de um conjunto de leis pertinentes ao correto ordenamento dos comportamentos nos espaços virtuais proporciona um sensação nos usuários de que não estão sob o domínio da lei. Dessa maneira, desobistruídos do medo de serem punidos, os internautas são capazes de conduzir verdadeiros linchamentos virtuais contra opositores de seus ideais, independentemente, da causa ser justa ou não.

Convém, portanto, que medidas sejam tomadas para mitigar essa problemática. Assim, é dever do Governo Federal reduzir a radicalização política nas redes sociais por meio de leis focadas em forçar as gigantes da tecnologia, como o “Facebook” e o “Twitter”, a desenvolverem algoritmos que dificultem a propagação de notícias falsas e não selecionem conteúdos para seus usuários, a fim de diminuir as constantes perseguições realizadas na internet e colocar um fim na cultura do cancelamento. Ademais, é função do Legislativo criar um conjunto de leis destinadas a regularizar as condutas no ambiente virtual, com o fito de coibir comportamentos nocivos no meio digital e reduzir as possíveis injustiças decorrentes dessas ações, colaborando com o término dos linchamentos virtuais.