Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 19/11/2021
No programa Big Brother Brasil, da TV Globo, em 2020, houve um caso de cancelamento da cantora Karol Conká, a qual, após ter atitudes questionáveis no programa, chegou a ser ameaçada de morte pelos telespectadores. Esse é apenas um exemplo do que ocorre diariamente com muitos brasileiros nas redes sociais, devido ao movimento de forma deturpada da denúncia contra violências e atitudes que ferem os direitos humanos, o que gera problemas emocionais, psicológicos e até o suicídio das vítimas deste crime. Logo, ações devem ser executadas para amenizar o problema.
A priori, é notório que as denúncias da população contra as pessoas canceladas, são impostas deturpadamente, de forma agressiva e exagerada. Nessa perspectiva, com a união da grande massa ao cancelar uma pessoa, muitas ofensas, ameaças e ódio são cometidos por eles. Nesse viés, a falta de leis mais rígidas no ambiente virtual possibilita o ódio da sociedade afetar cada vez mais a pessoa cancelada. Segundo o filósofo Sócrates, “Existe apenas um bem, o saber, e apenas um mal, a ignorância”, que no cancelamento, a ignorância das pessoas, certamente acarretam ao mal para os que sofrem.
Ademais, vale ressaltar as consequências trazidas pelo cancelamento. Muitas vezes, por lidar com a grande massa, com atitudes de ódio, críticas e exclusão, as pessoas canceladas, desenvolvem problemas emocionais, psicológicos, traumas e ansiedade. Assim, são isolados visto como marginais, perdem amizades, empregos e necessitam de apoio. De acordo com o filósofo Pierre Bourdieu e seu conceito de “Violência Simbólica”, que aborda uma forma de violência exercida pelo corpo sem coação física, mas o que causa danos morais e psicológicos, na qual a comprovação é exercida no cancelamento, por vários traumas emocionais que se desenvolvem durante esse crime.
Destarte, entende-se que a agressiva população que fazem a cultura do cancelamento às pessoas que sofrem, constituem um problema social. Nesse sentido, cabe às mídias digitais, investir em projetos de conscientização da população sobre os problemas do cancelamento aos que sofrem, financiando em anúncios e propagandas nas redes a chegar em toda massa. É de extrema importância que o Governo Federal, elabore leis mais rígidas no ambiente virtual e invista mais em órgãos de assistência psicológica às pessoas afetadas, com maior ênfase a criação de leis pelo poder legislativo e com maiores finaciação dos bancos nos projetos. Dessa forma, a fim de que mais casos como a de Karol Conká, não aconteçam com brasileiros do futuro.