Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 08/01/2022

Sileciamento e violência: o fenômeno do cancelamento na internet e seus efeitos sociais

Em 2021, a autora J.K. Rowling, que escreveu a saga Harry Potter, sofreu o fenômeno do cancelamento na internet após se posicionar contra o uso dos termos “pessoas que menstruam” ao invés da palavra “mulher”. Esse não é um caso isolado. Na atualidade, pessoas vistas como conservadoras ou que tecem comentários vistos como inapropriados, estão expostas aos ataques em massa de internautas. Além de limitar o diálogo entre indivíduos com pontos de vistas distintos, esse comportamento também abre espaço para o incentivo da violência.

Primeiramente, destaca-se que em uma sociedade democrática, a diversidade de opiniões se faz necessária. Assim como no mundo criado dos super-heróis - tais como Capitã Marvel, Wanda, Homem-Aranha e Pantera Negra, por exemplo -, onde o trabalho em conjunto é primordial para reestabelecer a paz e o equilíbrio, na vida real, saber se relacionar com pessoas que experienciam com o mundo de formas distintas, é essencial para que haja uma pluralidade de vozes e que, consequentemente, não ocorra o empobrecimento do diálogo e uma possível ditadura intelectual.

Em segundo lugar, observa-se que, embora a internet traga inúmeros benefícios aos seus usuários - pesquisa, entretenimento, aproximação de grupos, entre outros -, ainda não existe uma legislação robusta que proteja quem acessa sites e redes socias de ameaças. Um exemplo recente foi o caso da cantora Luiza Sonza, que além de ser alvo de comentários machistas e misóginos, ainda teve sua vida ameaçada, sendo necessário adiar o lançamento de um trabalho novo e se ausentar de plataformas como o Twitter e o Instagram. Esse comportamento da massa pode gerar ansiedade e depressão nas vítimas dos ataques e também pode despertar um sentimento de insegurança em quem está atrás da tela.

Assim, medidas são necessárias para que o impasse da cultura do cancelamento seja resolvido, pois ele contribuiu para a restrição do diálogo e alimenta a violência na internet. Sugere-se que o Ministério da Justiça e Segurança Pública crie um conjunto de leis específicas para o universo cibernético, garantindo que os usuários estejam seguros, possam desfrutar de um ambiente pacífico e que punições existam para aqueles que não mantiverem um bom convívio com o próximo. Além disso, esse mesmo órgão poderia exigir das grandes companhias tecnológicas como Meta e Twitter que desenvolvessem algorítimos mais precisos na detecção de perfis falsos e de comportamentos violentos de seus indivíduos. Dessa forma, a internet se tornará um local mais seguro e politicamente aberto para que debates ocorram entre grupos diferentes.