Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 07/03/2022
Na obra “Utopia” do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade ideal, na qual o corpo social vive em harmonia, sem conflitos ou julgamentos. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a cultura do cancelamento promove um cenário de hostilidade virtual, a qual dificulta a concretização dos planos de More. Diante disso, é fulcral a análise das causas e consequências dessa problemática.
Em primeiro plano, um dos fatores que leva ao cancelamento é o sentimento de justiça por parte daqueles que o promovem. Nesse contexto, em fevereiro de 2022, o influenciador Monark foi “cancelado” por seus seguidores e parte da mídia após falas consideradas antissemitas em um canal no YouTube, levando a perda de patrocínios e exclusão do mesmo da plataforma. Logo, tal situação demonstra que o cancelamento é visto como uma forma de punição para aqueles que cometem erros ou até mesmo crimes nas redes sociais, pois as consequências são imediatas por meio de boicotes ou represálias. Assim sendo, nota-se que tal cultura é proveniente de um desejo de realizar “justiça com as próprias mãos”, como observado no caso acima e que pode ocasionar sérias consequências.
Outrossim, é válido destacar que o cancelamento tem um potencial de acarretar graves danos para a vítima, uma vez que tal ato é movido muitas vezes por motivos fúteis, sem a ponderação das consequências negativas. Nesse viés, é necessário atentar-se que essa cultura pode promover injustiças ou banalidades, afinal, quando alguém é cancelado todos os envolvidos irão unir-se para retirá-lo dos meios digitais sem dar a chance de defesa ou explicações. Prova disso foi o cancelamento sofrido pela cantora Luiza Sonza, que ao terminar seu relacionamento sofreu ataques de ódio e difamações, na qual precisou buscar ajuda médica para superar a situação.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para conter o avanço dessa problemática. Sendo assim, as mídias sociais - Facebook, Instagram e Twitter – devem explicitar os danos causados pelo cancelamento por meio de anúncios e propagandas em seus meios, a fim de conscientizar que tal cultura tem um potencial perigoso na sociedade contemporânea, acarretando danos severos.