Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 16/03/2022
O resultado de uma ação com intenções do correto que, por virtude, acabasse falhando, seria o erro. Errar é humano e a sociedade está constantemente fadada a experienciar isto, tornando assim todos alvos de críticas e, possivelmente, do cancelamento. Afim de minimizar os erros alheios cometidos, esta prática se tornou ordinária nas redes sociais; porém, é questionável quanto à sua necessidade. Expor erros passados sem quaisquer aprofundamento não costuma resultar em melhorias pessoais, tanto para o público quanto para o alvo.
De fato, falhas devem ter consequências. Porém, cada uma possui seu próprio peso, assim como sua consequência também deveria de ter - um erro cometido ontem não terá o mesmo peso daquele cometido anos atrás. Isso se deve ao fato do ser humano estar em constante mudança; dificilmente uma pessoa manterá o pensamento de anos atrás - isto é uma consequência direta de errar. A falha leva ao acerto, culminando na aprendizagem e na evolução da perspectiva pessoal de seu entorno. Sendo assim, o cancelamento se torna mais um empecilho para a aprendizagem do que, supostamente, para praticar o bem.
Contudo, este empecilho é a maneira mais rápida de apontar os erros. Apenas expor fotos, falas, etc. sobre algo o qual não se concorda na internet é uma tarefa que não leva além de alguns minutos, porém questionar e argumentar pode levar um bom tempo. Famosos estão constantemente expostos a isto; Felipe Neto é um grande YouTuber brasileiro, e por muito tempo expôs ideias de ódio em seu canal - cerca de 10 anos atrás. Porém, sua carreira continua hoje, totalmente diferente de anteriormente, mostrando sinais de mudança de perspectiva. Ainda assim atualmente recebe diversas exposições de suas falas do início de sua vida na mídia.
Em suma, erros não devem apenas ser vistos, como examinados também. Ter ciência do assunto o qual está sendo problematizado torna a experiência menos negativa e de cunho proveitoso. Pessoas não aprendem a aprender, apenas o fazem como acham correto. Disseminar os passos para adquirir intelecto deveria ser essencial no ensino de todos; isso poderia se tornar uma matéria própria de Psicologia Fundamental, apenas para ter um conceito básico de como a mente humana funciona para, assim, não propagar gratuitamente atitudes errôneas.