Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 31/03/2022
Na série “Control Z”, da Netflix, após seus segredos serem revelados, um grupo de alunos são rejeitados e têm suas relações sociais boicotadas - ato hoje chamado de cancelamento. Para além da ficção, observa-se que, na conjuntura social brasileira contemporânea, milhares de indivíduos sofrem por causa da cultura, muitas vezes intolerante, de cancelar. Nesse viés, torna-se crucial analisar as causas e consequências dessde boicote virtual.
A princípio, é imperioso notar que a polarização da sociedade, em extremos políticos e ideológicos, é um fator que contribui para a cultura do cancelamento, pois, qualquer pessoa que tenha ideias incompatíveis com as da maioria pode ser cancelada. Segundo o filósofo Micheal Foucalt, criador da teoria “Microfísica do Poder”, para controlar determinado grupo, é preciso controlar os hábitos e maneiras de pensar dos indivíduos. Sendo assim, tal controle pode vim em forma de impedir um cidadão de emitir opinião, ou seja, pelo simpes ato de discordar, a pessoa está sujeita ao cancelamento.
Como consequência do comportamento tirânico e de punibilidade dos que os canceladores exercem, as pessoas canceladas podemm apresentar problemas psíquicos provenientes do trauma que sofrem ao serem duramente julgados e excluídos. Tal fato é exemplificado no livro “Confissões de um garota excluída”, onde a protagonista, após ser afastada da vida social em seu novo colegio, tem sua saúde mental afetada - tristeza e baixa autoestima são sentimentos recorrentes, assim como acontece com as pessoas canceladas.
Em suma, a cultura do cancelamento pode apresentar caráter intolerante, sendo imprescindível uma intervenção estatal. Dessarte, a fim de formar cidadãos consientes de que seus atos podem prejudicar social e emocionalmente outra pessoa, o MEC deve - por meio de palestras com psicólogos - difundir campanhas que combatam e previnam o cancelamento, abordando os pontos negativos dessa nova cultura.