Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 31/05/2022
A globalização dinamizou as formas de comunicação e transmissão de informações no mundo. Com o surgimento da Internet, uma nova postura que valoriza minorias e causas sociais pode ser observada nas redes: a cultura do cancelamento. Contudo, apesar de promover visibilidade para diversos grupos, o cancelamento não é uma medida eficaz para a resolução dos problemas a longo prazo, uma vez que os internautas têm o poder absoluto para julgar e há um comportamento de manada.
Primeiramente, temos a relação entre o senso de justiça social e as suas consequências no indivíduo cancelado. Na Internet, os usuários possuem o poder de juiz, júri e advogado e utilizam deste “poder” para realizar linchamentos virtuais e promover uma justiça social nas redes. Analogamente a essa situação, o livro “Vigiar e Punir”, de Michel Foucault, retrata sobre a criação das prisões como um ambiente de extrema vigilância e uma maneira de submeter a população à disciplina. Ademais, esses comportamentos podem ser observados no cancelamento da rapper Karol Conka após a sua participação no Big Brother Brasil 2021, o que culminou na destruição da sua carreira e figura social, sofrendo até ameaças de morte pela Internet.
Além disso, o comportamento de manada afeta o senso crítico dos usuários. De acordo com o documentário “O Dilema das Redes”, o próprio “algoritmo” das redes sociais propicia a criação de uma bolha social, na qual os conteúdos que os indivíduos consomem são relacionados com os seus gostos e visão de mundo, havendo uma alienação. Dessa forma, tal ambiente submete os internautas à perda do senso crítico e, consequentemente, induz um comportamento de manada em uma população facilmente manipulável.
Portanto, é evidente que medidas precisam ser tomadas. Para resolver essa problemática, o Estado, em parceria com as escolas, deve conscientizar sobre o uso da Internet, por meio de palestras com profissionais e de aulas de Filosofia e Informática, a fim de estimular o senso crítico nos estudantes. Assim, a sociedade não estará confinada nas grades da cultura do cancelamento e será possível sair da “bolha” social.