Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 30/05/2022
Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a conexão em rede não ensina a dialogar, pois os usuários da internet tendem a se aglomerar em nichos cujo “único som que escutam é o eco de suas próprias vozes”. Nesse sentido, a cultura do cancelamento nas redes sociais se torna um reflexo desses nichos, haja vista que essa ação possui alto teor ideológico, o que a torna, em muitos casos, ofensiva.
Primeiramente, é válido ressaltar que os ataques ofensivos destinados aos arranjos político-sociais antagônicos contribuem para a perpetuação da problemática. De acordo com o site Wikipédia, os discursos inflamatórios, carregador de ideologias, utilizam a cultura do cancelamento como uma forma de ganhar vantagem em detrimento da postura “cancelada” de seus adversários. Nesse sentido, as críticas constantes têm a capacidade de desgastar a imagem de opositores, já que o linchamento virtual em massa impede que esses indivíduos possam se defender amplamente.
Ademais, é relevante salientar que, em virtude da carente presença de coesão nos julgamentos, o deficitário panorama persiste. Conforme um acontecimento virtual que ganhou grande repercussão nas redes sociais, o lançamento da música “Flores”, dos cantores Vitão e Luísa Sonza, foi alvo de boicote, recebendo milhares de julgamentos. Nesse contexto, a cultura do cancelamento é dotada de poder para prejudicar a carreira de celebridades, visto que o “tribunal da internet” é incoerente quando negligencia a visibilidade de assuntos mais importantes, como a violência sofrida por um cachorro no estabelecimento do “Carrefour”.
Portanto, uma intervenção faz-se necessária. Dessa forma, cabe à Assembleia Geral das Nações Unidas reunir os 193 países para discutirem a respeito das implicações atreladas à cultura do cancelamento. Tal ação deverá acontecer por meio de uma reunião transmitida pela mídia, que será capaz de orientar o público acerca do motivo inicial pelo qual esse movimento digital foi criado, por exemplo, para amplificar as vozes oprimidas de parcelas da sociedade e exigir providências estatais.