Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 30/05/2022
Defini-se por linchamento a execução de um criminoso pela multidão, seu equivalente virtual, o cancelamento, faz parte da cultura digital do século XII e atinge patamares inimagináveis. Em uma realidade em que um julgamento entre duas estrelas de hollywood é transmitido e vai ao “júri do Twitter” a cultura do cancelamento é uma faca de dois gumes que ao mesmo tempo que atua contra a disseminação de ideias ofensivas, ela também alimenta uma fome de “crucificação” pelos menores motivos.
Ao comprar o Twitter, o multimilionário Elon Musk disse que queria dar aos jovens uma plataforma onde pudessem expressar suas opiniões sem receber qualquer tipo de julgamento. Porém sendo uma rede social onde o anonimato domina, essa liberdade é uma porta para a disseminação de ideais ofensivas como o racismo, a misoginia, etc. E cabe ao cancelamento agir como um mecanismo de repressão dos próprios usuários para “limpar” o ambiente da rede social.
Entretanto, a justiça popular nas redes sociais criou nos usuários uma fome insaciável por crucificar um outro alguém. Não é raro ver “influencers” tendo suas carreiras destruídas por apenas um tuíte de anos atrás, pode-se citar o caso do “youtuber” Julio Cocielo que durante a copa do mundo de 2018 foi temporariamente cancelado por conta de uma piada mal formulada, se tornando mais um alvo da descontrolada cultura do cancelamento que depois de acabar com seus verdadeiros alvos, atacar pessoas inocentes chegando a mandar ameaças de morte.
Conclui-se que a cultura do cancelamento é um resultado da impunidade no campo digital que faz com que os usuários se juntem para condenar outros de forma às vezes injusta. É preciso mudar essa consciência coletiva nas redes sociais, mudar o foco da punição para a melhoria da saúde do ambiente digital, conscientizar que a anonimidade não faz com que suas palavras tenham menor peso, e assim transformar o meio das redes sociais, em um que não precise do cancelamento como meio de autodefesa que ocasionalmente gera vítimas inocentes.