Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 30/05/2022
Milton Santos, em seu ensaio “Cidadanias Mutiladas”, discorre acerca da imprescindibilidade de um país amparar seu círculo social com o intuito de atenuar problemáticas presentes no território nacional. O cenário brasileiro, no entanto, opõe-se ao ideal de Santos, uma vez que o país não busca edulcorar o cancelamento na sociedade contemporânea, no qual lhe agonia constantemente. À vista disso, destacam-se a negligência governamental e a indiferença social como causas do revés, as quais devem ser amplamente analisadas e, exterminadas.
É fundamental salientar, como a omissão estatal é uma relevante instigadora do óbice. Desse modo, consoante Thomas Hobbes, é dever do Estado assegurar o desenvolvimento de todo seu tecido civil. O panorama brasílico, visto que a máquina pública da nação não efetua ações que poderiam mitigar a anulação na internet, a exemplo de projetos que perpetuam a ideia de inclusão de toda e qualquer diversidade, o que, por conseguinte, dificulta o progresso proposto por Hobbes. Fica claro, assim, que o poder público posterga seu dever, no qual deveria ser aplicado para impedir a ampliação do empecilho.
Necessita-se acentuar, como o desinteresse coletivo fomenta o imbróglio. Nesse quadrante, segundo Hannah Arendt, a coletividade perdeu a capacidade de realizar julgamentos morais sobre os distúrbios que a afligem, tornando esses altamente banalizados em seu cotidiano. A concepção da pensadora, condiz com o quadro, já que a sociedade silencia-se mediante as mazelas nacionais, como a glossa, onde ações como a preservação e respeito da própria imagem não são efetivadas e, consequentemente, estimulam o infortúnio. Então, para combater tal questão, urge que a sociedade tenha seu pensamento reformulado o quanto antes.
É imperioso, portanto, desconstruir as bases da vicissitude. Cabe ao governo federal, por meio do Ministério da Saúde tem como objetivo ampliar o acesso da população aos serviços de Atenção à saúde, elaborar campanhas para cuidar da saúde mental a fim de amenizar os efeitos do cancelamento da sociedade. Além de, o mesmo operador deve realizar projetos para a conscientização da população sobre a anulação social com o propósito de previnir que mais pessoas sejam prejudicadas.