Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 30/05/2022
Em determinado momento, o linchamento digital surge assumindo a definição de “válvula de punição”. Tendo seus primeiros indícios durante a segunda metade da década de 2010, a ação cujo hoje tem o intuito de condenar atos vistos como irresponsáveis, através de certa óptica, vem ganhando progressivamente notoriedade. É perceptível a necessidade de se debater acerca da cultura do cancelamento na sociedade contemporânea, uma vez que a situação exemplifica uma realidade, onde a ressocialização humana denota duas maiores problemáticas: A ausência de sensibilidade emocional e o egoísmo como agente propagador.
Convém pontuar as motivações para que o fenômeno seja tão presente. Em seus estudos, o filósofo alemão Friedrich Nietzsche afirma que a moralidade, em primeira instância, se dá como resultado do pensamento daqueles em posições superiores à outros, com isso, pode-se afirmar que os indivíduos possuem a necessidade de apontar ao próximo o estranho, visando, inconscientemente, se consagrar bom a partir de de seus princípios. Nesse viés, a rapidez com que o publicado na rede é propagado, acaba por gerar a agitação dos utilizadores na busca de julgamentos de erros morais. Essa medida, de caráter popular, é planejada sem a menor ponderação de consequências, caracterizando, dessa forma, uma ausência de sensibilidade emotiva por parte dos canceladores.
Ademais, nota-se a imodéstia como um dos fatores que a cultura pode refletir. O livro “O sol é para todos”, retrata a liberdade como direito universal a qualquer ser, descartando qualquer pré-julgamento em relação a seus feitos. É possível constatar que o cancelamento torna-se contraditório, uma vez que usado para assegurar a liberdade de minorias ou toma-lá dos condenados.
É evidente que medidas exequíveis são importantes para conter a má conduta desta válvula. Logo, cabe a Órgãos Públicos, juntamente com a mídia, propor campanhas de denúncia contra aqueles que financiam discurso de ódio disfarçado de cancelamento, de modo fácil a qualquer utilizador das redes, a fim de castigar indivíduos cujo acreditam que a web seja “uma terra sem lei”. Assim minimizando abruptamente os danos desse tipo de movimento.