Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 31/05/2022
A cantora e influenciadora digital Karol Conká, durante sua participação no programa BBB, perdeu diversos contratos de trabalho por agir de forma vilanesca com outro integrante do reality show, atitude vista como desrespeitosa e preconceituosa. É notável que tal situação exemplifica a realidade contemporânea, visto que o confronto entre a cultura do cancelamento e a ressocialização do indivíduo representa um obstáculo na sociedade brasileira, seja pela falta de empatia da população, ou seja pela necessidade de identidade.
Em primeira análise, pontuar a afeição como propagadora do problema é necessário. Nota-se que a alta velocidade com que as informações são propagadas na internet provoca a instabilidade dos usuários, pois, no âmbito cibernético, as pessoas são “canceladas” por erros momentâneos. Tal linchamento virtual ocorre sem a ponderação das consequências negativas que tais opiniões podem geram para uma ressocialização do indivíduo que sofre essas disseminações de ódio. Dessa maneira, faz-se mister a reformulação dessa postura de forma urgente.
Além disso, deve-se enfatizar que esse problema decorre da falta de identidade pública. O livro do autor Pepetela “Mayombe” retrata os soldados da Angola que travaram vários conflitos internos sobre a importância de pertencer a diferentes tribos. Comparada à ficção, a cultura do cancelamento possui caráter ambíguo, pois protege minorias - como negros e homossexuais - e ainda se apresenta de forma destrutiva ao promover a intolerância de grupos com ideologias próprias. Essa situação dúbia impede a reinserção dos indivíduos “cancelados” na sociedade, como ao tentar arrumar um emprego, pois esta diferença ideológica tem impacto na mentalidade nacional.
É evidente, portanto, que medidas tornem o linchamento virtual uma prática saudável. Sendo assim, a fim de ressignificar valores morais, os meios midiáticos de maior influência na sociedade, mediante a transmissão de propagandas em programas de televisão e rádio, conscientizem a necessidade de um sentimento acolhedor pela população. Assim, a longo prazo, os impactos nocivos do cancelamento, como os que Karol Conká sofreu, não serão presenciados com frequência.