Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 31/05/2022
Em março de 2021, a influenciadora digital e cantora Karol Conká perdeu vários contratos com marcas conhecidas após o programa Big Brother Brasil, onde foi apontada como uma pessoa preconceituosa, pouco empática e manipuladora. Vale destacar que essa situação reflete a realidade contemporânea, seja pela falta de empatia da população ou pela necessidade de identidade.
Numa primeira análise, é fundamental apontar que o egoísmo é o motor do problema. O filósofo francês Gilles Lipovitzky apontou em seu livro “A Era do Vazio” que a cultura do sacrifício está morta e, portanto, não sente mais a dor dos outros. Nesse sentido, nota-se que a alta velocidade de disseminação de informações, onde no ambiente online as pessoas são “canceladas”, geralmente por erros temporários. Esse linchamento fictício ocorreu sem levar em conta os efeitos negativos que essa visão poderia na vida do usuário.
Além disso, deve-se enfatizar que esse problema decorre da falta de identidade pública. O livro “Mayombe” do autor Pepetela retrata a luta de Angola pela independência, em que os soldados são arrastados para vários conflitos internos sobre a importância de pertencer a diferentes tribos. Semelhante à ficção, a cultura do cancelamento parece ter um caráter ambíguo na medida em que pode garantir a proteção de minorias como negros e gays, mas também pode se apresentar de forma destrutiva, promovendo oposição a grupos com diferentes ideologias.
Portanto, fica claro que medidas acionáveis são fundamentais para o progresso na mitigação do problema. Portanto, para atribuir valores morais e garantir a reinserção digna dos “cancelados” na sociedade, é necessário que os meios de comunicação com maior influência na sociedade, por meio de anúncios e propagandas.