Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 31/05/2022
Desenvolvida inicialmente por meios digitais, a cultura do cancelamento atingiu proporções consideráveis, na medida em que sua prática passou a ser efetuada também no mundo real, ou em ambos. Bem como, a cantora Karol Conká, através de sua participação no BBB 21, foi linchada virtualmente e, após sua saída do programa, passou a ser excluída da sociedade e a receber ameaças. Perante essa ótica, é primordial analisar a falta de engajamento educacional e ausência de sensibilidade afetiva, os quais reforçam essa prática no mundo contemporâneo.
A primeira vista, a cultura do cancelamento começou a ganhar mais força em 2017, através do movimento #MeToo, iniciado no Twitter, afim de denunciar assédio sexual e abusos praticados por homens de poder contra mulheres. Paralelamente, pautas sociais como racismo, homofobia, feminismo e etc, passaram a ganhar mais força e espaço dentro do meio virtual. Sendo assim, fortificando cada vez mais o fenômeno do cancelamento, onde o indivíduo passa a ser linchado devido a falas ou atitudes as quais “não devem” ser aceitas socialmente, mostrando-se com isso, a necessidade de engajamento educacional sobre tal movimento.
Ademais, este fenômeno surge para criticar e dar visibilidade a um posicionamento que pode ofender ou ferir algum grupo social, no entanto, sua pratica é efetuada através de discursos de ódio, linchamento virtual, e em alguns casos, agressões verbais ou físicas, condicionando em graves consequências mentais ao cancelado. Do mesmo modo, a obra “Lucíola”, de José de Alencar, retrata a realidade do século XIX, onde cortesãs, prostitutas de homens de classe econômica alta (normalmente casados), eram mal vistas e expulsas da sociedade por seus comportamentos tidos como libertinos ou devassos, vivenciando assim, uma situação muito próxima à realidade atual do cancelamento.
Portanto, medidas interventivas devem ser tomadas para sanar e minimizar a prática de punição através do ódio. Assim, cabe aos Órgãos Governamentais e Instituições de Ensino, juntamente com influências da mídia, a promoção de campanhas que promovam a prática de empatia e sensibilidade com o próximo, denunciando com isso, aqueles que financiam discursos de ódio. Logo, minimizando abruptamente os danos de tal movimento cultural.