Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 30/05/2022

Segundo Jean Jacques Rousseau, pensador iluminista, “a concordância faz com que permaneçamos estacionados e a discordância faz com que cresçamos”. Nesse contexto, na sociedade contemporânea, esse movimento se tornou uma prática muito frequente, a qual provoca uma grande quantidade de vítimas dessa cultura do cancelamento. Entretanto, ao invés de amplificar a voz de grupos oprimidos e promover mudanças, a falta de empatia geram consequências enormes na vida de quem é cancelado.

Primeiramente, percebe-se que alguns motivos do cancelamento podem ser o uso de uma expressão que reproduz preconceitos ou até mesmo o silêncio sobre um outro caso de injustiça. A partir disso, os usuários da internet se veem no lugar de julgar e cancelar tal pessoa, para que o ato incorreto seja justificado, pois esse poder está inserido nesse espaço virtual entre as pessoas, na medida em que coloca em risco a integridade moral e a dignidade de quem é alvo do discurso de ódio, a cultura do cancelamento, atrelada a falta de empatia passa a ser manifestação de intolerância.

Além disso, na atualidade há um descontentamento com o âmbito jurídico e uma sensação de que, na internet, se não fizerem o cancelamento, as pessoas não serão punidas. Isso se deve, sobretudo, às impugnativas leis virtuais e ao imediatismo provocado pelas redes sociais. No entanto, essa constante tentativa de validação do caráter das pessoas não surte o efeito devidamente, já que na internet as coisas são voláteis e há sempre o surgimento de uma nova personalidade para cancelar, mas os cancelados podem permanecer com os efeitos em suas vidas.

É necessário, portanto, fazer por meio das televisões e, principalmente, nas redes sociais, propagandas que discutam sobre palavras e atitudes cometidas nas redes sociais, por meio de comerciais educativos, para que as pessoas possam refletir sobre o tema e tenham mais empatia com o próximo. Logo, o Poder Público deve ser responsável por garantir a prática da cidadania nacional, junto à mídia, incentivando que as pessoas ponderem as suas atitudes de cancelamento a fim de que essa cultura não seja mais intensificada.