Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 31/05/2022

Na Idade Medieval, execuções eram realizadas em praças públicas e havia grande participação popular no julgamento dos condenados. Analogamente, nos tempos atuais, surge a cultura do cancelamento, praticada nas redes sociais, que se tornaram palco para o linchamento dos que contradizem o moralmente correto. No entanto, esse movimento, ineficaz, aponta para consequências individuais e sociais de atitudes divulgadas nas mídias.

Inicialmente, apesar de consolidado como um movimento que fazia justiça social e dava voz às minorias, este veio sendo aplicado de maneira cada vez mais deturpada, visto que, por erros momentâneos ou mal-entendidos, várias pessoas, e não só celebridades, passaram a sofrer ataques de ódio. Um exemplo disso ocorreu em 2021, quando um americano foi filmado na rua sinalizando “ok” com a mão, um gesto também utilizado por supremacistas brancos nos Estados Unidos. Esse não era o caso, mas mesmo assim, ele foi “cancelado” na mídia e perdeu seu emprego, o que aponta para o caráter de uma cultura que não se preocupa com a verificação real dos fatos.

Ademais, se, por um lado, a cultura do cancelamento faz com que os usuários e, principalmente, personalidades passem a se atentar às opiniões que emitem publicamente, por outro, essa preocupação é superficial, pois não se baseia numa instrução moral ou crescimento pessoal daquele que fez o comentário ofensivo, mas sim no medo de ser atacado virtualmente. Portanto, evidencia-se que, na verdade, o movimento não se preocupa com a mudança de pensamentos preconceituosos e problemas estruturais da sociedade, nem com a promoção de debates construtivos dentro das redes.

Por fim, dado o caráter equivocado do “cancelamento”, medidas são necessárias para evitar sua disseminação. O poder Legislativo, como órgão democrático, deve criar leis que se apliquem e punam adequadamente ataques de ódio nas redes sociais, para que elas não se tornem uma praça pública da Era Medieval. Além disso, o Ministério da Educação deve promover nas escolas o ensino digital, fomentando uma educação midiática adequada, visando incentivar o posicionamento crítico no ambiente da Internet.